RODAS DE CONVERSA: DO PRAZER DA PARTILHA A CONSTRUÇÃO DE REDE

Apresentação
O projeto será desenvolvido visando a promoção da saúde no cenário escolar, tendo como público alvo adolescentes e educadores. Uma vez que a inserção do proponente neste espaço durante o estágio pós doutorado detectou vulnerabilidades vivenciadas pelos adolescentes e educadores que repercutem em grande sofrimento psíquico. O objetivo é desenvolver estratégias interventivas implementadas no território escolar com os adolescentes e educadores no desenvolvimento das habilidades psicossociais. Utilizará os referenciais da Terapia Comunitária Integrativa (TCI) para os professores e adolescentes, assim como a elaboração de Grupo Operativo segundo Pichon-Rivière para os adolescentes com temáticas relacionadas ao sofrimento vivenciados pelos mesmos. Durante o decorrer das atividades será desenvolvido um Fórum de discussão sobre a adolescência, desafios, vulnerabilidades e empoderamento.

Introdução
Os adolescentes vivenciam um momento particularmente “saudável”, contudo o modo de vida e os comportamentos podem conduzi-los a situação de risco (BRASIL, 2014), como o consumo de drogas, a violência entre si e entre os pares, o insucesso acadêmico, o que compromete a saúde física, o bem-estar psíquico e o desenvolvimento psicossocial (SHEK; YU, 2012). Neste contexto, a partir da inserção do docente no cenário escolar com a realização de uma pesquisa com a Terapia Comunitária Integrativa (TCI) detectou vulnerabilidades vivenciadas pelos adolescentes, que repercutem em grande sofrimento, categorizadas nas temáticas: adolescência e automutilação: o alívio da angustia; adolescência e a violência entre os pares: um ciclo vicioso; Diversidade sexual e o preconceito; relações no ambiente escolar: desrespeito entre alunos e professores; A bebida alcoólica como fonte de prazer. O que corroboram com Fukuda et al (2016), que encontraram que os problemas identificados entre os jovens estavam relacionados a escola, a ansiedade, o medo e a depressão, além dos problemas comportamentais, das relações com os familiares e seus pares. Todo o sofrimento psíquico vivenciado pelos adolescentes está associado a falta de disponibilidade de tempo dos pais e o déficit de responsabilidade da comunidade escolar para a assistência integral ao adolescente, o que os torna-o abandonados, sozinhos e sem saber em que se amparar (ARAÚJO et al., 2010). Tangenciando a isso, o que se evidencia é que a relação professor aluno encontra-se comprometida e com baixa efetividade na vida dos adolescentes (AMPARO et al., 2008). Todo esse processo tem um impacto negativo na vida do adolescente, o que resulta em sofrimentos e prejuízos (STRINGARIS; GOODMAN; 2013). Nesse panorama, os educadores também se deparam com situações de rebeldia dos adolescentes, provocações e de rejeição as atividades propostas, o que gera desequilíbrio nos professores (OLIVEIRA; FULGENCIO, 2010). Muitos professores se deparam com momentos estressantes e angustiantes, uma vez que vivenciam algumas questões sociais como o tráfico e o consumo de drogas, a violência, a formação de grupos e a atividades criminais, ou que corrobora com o prejuízo nas relações interpessoais (DUARTE, 2004). A literatura menciona a importância em realizar ações preventivas e de promoção a saúde com enfoque na saúde dos adolescentes (PATIAS; SILVA; DELL`AGLIO, 2016). A escola é um espaço rico para o reconhecimento das necessidades dos adolescentes, do diálogo, e também da criação de vínculo afetivo entre professor-aluno, o que torna a escola um ambiente de suporte (OLIVEIRA; FULGENCIO, 2010). A interlocução entre saúde e educação é efetivamente importante uma vez que as relações sociais permeadas nesse contexto contribuem para o desenvolvimento (LUCKOW; CORDEIRO, 2017), propicia a troca de saberes e de reflexão, contribuindo para o empoderamento e o protagonismo dos adolescentes em relação ao comportamento mais saudável.

Objetivo Geral
Desenvolver estratégias interventivas no território escolar com os adolescentes e educadores no desenvolvimento de habilidades psicossociais, na prevenção e promoção da saúde mental.

Objetivos Específicos
Apreender a percepção dos adolescentes e educadores na roda de Terapia Comunitária Integrativa os principais problemas geradores de sofrimento psíquico e estratégias de enfrentamento; Analisar as estratégias de desenvolvimento de habilidades psicossociais apreendidas nos grupos operativos com os adolescentes na prevenção da automutilação, violência entre os pares, as questões de gênero e a sexualidade do adolescente, a relação professor-aluno e seus familiares entre outras;  Verificar a efetividade da implementação das estratégias interventivas no território escolar;

Justificativa
A adolescência se caracteriza pela busca de novas experiências e vivências, e que se associam muitas vezes as vulnerabilidades. E para que não ocorram prejuízos à saúde nesta etapa da vida é extremamente importante que os profissionais de saúde e educação estejam preparados para intervir (LIMA et al., 2015). Assim, o Governo Federal elaborou em 2007 o Decreto de n° 6.286 que instituiu o Programa Saúde na Escola (PSE), com o objetivo de desenvolver ações conjuntas entre escola e saúde, buscando a melhoria da qualidade de vida por meio do enfrentamento das vulnerabilidades apresentadas pelos adolescentes (BRASIL, 2015). Nesta perspectiva, vislumbra-se o quão é importante o papel do enfermeiro e profissionais de saúde na promoção da saúde mental contribuindo para o fortalecimento das habilidades pessoais, da autoestima e do processo de empoderamento das emoções (BRAGA et al., 2015), além do desenvolvimento de competências cognitivas, afetivas e sociais que auxiliam os adolescentes (REIS et al., 2013). Portanto, o enfermeiro é um dos protagonistas ativo do PSE uma vez que assume a linha de frente das atividades desenvolvida neste território (SILVA et al., 2017). Braga et al. (2015) ainda complementam que as estratégias de intervenção do enfermeiro no espaço micropolítico escolar contribui para fortalecer a Política Nacional de Saúde Mental Infanto-Juvenil, a qual determina que não existe produção de saúde sem a produção de saúde mental. Destaca-se, neste âmbito a importância de desenvolver ações com o propósito de acolher, escutar, cuidar e promover ambientes saudáveis que visa melhorar a qualidade de vida e o desenvolvimento psicoemocional e que leve em conta as singularidades de cada um (BRASIL, 2014). Strelhow et al (2010) e Benincasa et al (2015) sugerem o desenvolvimento de novos estudos com base na percepção dos próprios adolescentes, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas. A relevância social e cientifica está em oferecer subsídios para a ampliar a assistência ao adolescente e educadores para as questões que transcendem o modelo biomédico, e assim articular a interdisciplinaridade na proposição de estratégias de práticas emancipatórias na promoção a saúde do adolescente e do educador.

Beneficiário
Adolescentes e educadores inseridos na escola Estadual Napoleão Salles. Discentes da graduação e pós graduação (mestrando) em enfermagem.