JUNTOS PARA UMA VIDA VIVA

Apresentação
É uma ação extensionista que promove a saúde das pessoas com câncer, assistidas pela ONG Associação Vida Viva de Alfenas, propiciando reeducação nutricional, com vistas à atenção integral do indivíduo e seus familiares. São realizadas oficinas interativas visando minimizar os efeitos deletérios da doença; estimulando o autocuidado, autonomia e proporcionando conhecimentos relacionados à doença e ao tratamento. Visa o empoderamento para enfrentamento das adversidades, corroborando para reduzir complicações e reinternações, promovendo melhoria na qualidade de vida. A ação interage com profissionais da ONG, com interdisciplinaridade no atendido aos objetivos propostos; está fundamentada na indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, vinculada à pesquisa, promovendo mudanças da realidade por meio da troca de saberes e produção de novos conhecimentos. As interações são baseadas na dialogicidade e na integralidade humana, sustentados na Clínica Ampliada e na epistemologia Freiriana.

Introdução
Esse projeto foi articulado para ser executado junto à Associação dos Voluntários Vida Viva de Alfenas (MG), visando promover a saúde por meio do atendimento às necessidades clínicas, nutricionais e psicossociais da pessoa com diagnóstico de câncer. Para atender a demandas do doente e seu familiar cuidador, serão implantadas oficinas interativas com aproximadamente 15 pessoas com diagnóstico principal de câncer integrando o familiar cuidador, totalizando em torno de 30 pessoas. Nas oficinas poderão estar presentes alguns dos profissionais de saúde da ONG, a saber: Psicólogos, Nutricionista, Farmacêutico, Enfermeiro, Assistente social. Serão oficinas com periodicidade mensal, abordando questões de cuidados com alimentação, saúde integral, aspectos emocionais e psicossomáticos dentro de uma perspectiva sociocultural e visão sistêmica do indivíduo. As ações serão direcionadas com muito diálogo no grupo, direcionadas para gerar autonomia do sujeito e empoderamento no sentido do autocuidado e de buscar compreender o processo saúde-doença, visando melhorar qualidade de vida dos sujeitos envolvidos, tendo também como base, algumas das necessidades percebidas nas atividades dos anos anteriores do projeto (desde 2013 até a presente data 2018, ininterrupto). Esse projeto de ação para 2019 se faz relevante, dando continuidade às atividades dos anos anteriores, inovando em alguns pontos imprescindíveis à transformação da realidade desses indivíduos portadores de câncer em Alfenas (MG). As renovações e inovações das ações ocorrem devido aos resultados observados anteriormente, que geraram conclusões que invocam a necessidade de aprimoramento para conseguir transformação da realidade desses doentes e seus familiares, no enfrentamento às muitas dificuldades de acesso ao tratamento, seja por questões privadas ou pelo sistema de saúde público. As sensibilizações e capacitações da equipe executora nessa perspectiva estão previstas. Com o diálogo que se estabelece com o grupo de pessoas participantes os temas das oficinas são direcionados e são aprimorados dinamicamente de forma a atender a demanda desse grupo social. Os resultados dos anos anteriores estão sendo trabalhados para publicação em periódicos e uma edição de um livro, com orientações nutricionais e discussões fisiopatológicas, abordando alimentos e receitas funcionais, para melhorar o tratamento do câncer. Aspectos relevantes das abordagens para melhor qualidade de vidas das pessoas portadoras de câncer.

Objetivo Geral
Promover a saúde de portadores de câncer, por meio de oficinas interativas, pensando o ser humano de forma integral, buscando conhecer os fatores socioculturais e econômicos interligados ao processo saúde-doença-cuidado, que permitam direcionar para o autocuidado e transformação da realidade da pessoa, propiciando melhor qualidade de vida e possibilidade de recuperação da saúde.

Objetivos Específicos
Os objetivos Específicos são: a) Realizar oficinas interativas, e se necessário, visitas domiciliares à assistidos da Associação dos Voluntários Vida Viva no município de Alfenas (MG), buscando promover condições nutricionais favoráveis ao enfrentamento da doença, minimizando os efeitos deletérios a partir da educação para a saúde; b) Orientar os doentes e familiares quanto aos direitos sobre educação alimentar e nutricional para a saúde integral, bem como outros temas que o grupo escolher, sensibilizá-los em relação aos cuidados para melhor qualidade de vida; c) Capacitar a equipe sobre a perspectiva da intervenção com ênfase no diálogo, por meio do método Freiriano, estabelecer troca de saberes, proporcionando mudança das realidades entre todos os sujeitos envolvidos no processo educativo; d) Capacitação dos membros da equipe quanto às premissas da Clínica ampliada e do projeto Terapêutico singular; e) Compilar informações sobre os aspectos socioculturais e econômicos, de forma a compor um banco de informações que perneiam questões do processo saúde-doença-cuidado; f) Compilar as interações decorridos dos diálogos estabelecidos nas oficinas interativas, na perspectiva de registro de novos conhecimentos construídos pela troca de saberes.

Justificativa
Apontamos como relevância para atenção à saúde do indivíduo acometido pelo câncer, em função da alta prevalência desta doença tanto na população brasileira quanto mundial. Em relação à etiologia do câncer, aproximadamente 80% dos casos de câncer estão relacionados a fatores ambientais, em maior ou menor grau, evitáveis (WHO, 2002). E a forma e acesso a tratamento fazem diferença nos indicadores de mortalidade. Segundo a WHO (2010) mais de 70% de todas as mortes por câncer ocorrem em países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento (Whosis, 2010). No Brasil, as estimativas para 2012 foram de 518.510 casos novos de câncer, sendo mais frequente o câncer da pele do tipo não melanoma (134 mil casos novos), seguido pelos tumores da próstata (60 mil), mama feminina (53 mil), cólon e reto (30 mil), pulmão (27 mil), estômago (20 mil) e colo do útero (INCA, 2012). Dados de mortalidade no Brasil e na região sudeste mostram que essa patologia tem ampliado o número de casos a cada ano, e acomete mais os homens que as mulheres. A mortalidade no Brasil em 1996 entre os homens era de 71,2 e em 2004 foram para 84,3 por 100 mil habitantes. A taxa entre as mulheres em 1996 foi de 58,6 e em 2004 atingiu 69,2 por cada 100 mil habitantes. Na região sudeste do país, considerando todos os tipos de neoplasias, a taxa de mortalidade em 2004 acusou 103,2 casos entre os homens e 83,5 entre as mulheres, e foram mais elevadas que em 1996, quando eram 94,4 e 76, respectivamente (BRASIL, 2010). O número de pessoas com o que compõem a Gerência Regional de Saúde de Alfenas, microregião Sul de Minas Gerais), chegam a 1060 indivíduos, destes, 551 residem no município de Alfenas (ASSOCIAÇÃO, 2014). Esse universo de pessoas enfrenta diversas situações de enfrentamento ao longo do tratamento, pois muitas vezes procuram recurso e atenção à saúde na ESF (Estratégia de Saúde da Família) e não consegue atendimento para atender suas necessidades, então, recorrem à rede hospitalar e também recebem o descaso, pois são orientados a procurar as unidades básicas de saúde (UBS). Assim, ficam a mercê das lacunas apresentadas pelo sistema público de saúde frente ás suas necessidades, apresentam-se desorientados e inseguros quando ao que fazer para solucionar seus problemas. O Ministério da Saúde (2012), por meio da proposta de Clínica Ampliada e Compartilhada, reconhece o tratamento da oncologia como exemplo de usuários crônicos, sob tratamento longo, no sistema de saúde. Reconhece também que os resultados dependem da equipe local de Saúde da Família e da capacidade de lidar com a rede social necessária ao atendimento adequado de pequenas intercorrências. Nesse sentido percebemos que no município de Alfenas há a premente necessidade de se trabalhar mecanismos de interligação entre as equipes de Saúde da Família e a gestão das equipes especializadas, dentro da rede social que precisa atender às demandas desse população que apresenta câncer e depende da rede publica de saúde. A Universidade, por meio de sua atuação extensionista de da indissociabilidade entre ensino-pesquisa e extensão, pode atuar de forma colaborativa na resolução dessas lacunas do sistema de saúde. Colocar sua expertise a favor da população, interagir com as pessoas para descobrir melhores alternativas para resolução de problemas, produzir e reproduzir conhecimento proporcionando autonomia dos sujeitos envolvidos na relação dialógica, capacitar profissionais que estão atuando no sistema, dentre outras ações é papel da universidade para transformação social.

Beneficiário
Serão convidados para cada oficina 15 pessoas com diagnóstico principal de câncer, e seu familiar cuidador (total aproximado de 30 pessoas), assistidas pela Associação Voluntários Vida Viva. Além desses, são beneficiários os estudantes envolvidos na equipe e alguns profissionais da ONG.