EMPATIA - ESTUDOS SOBRE A MATERNAGEM, PATERNAGEM, INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Apresentação
A reflexão sobre a construção social da maternagem/paternagem pode auxiliar os serviços de saúde a propor estratégias para a promoção da saúde (MOURA; ARAÚJO, 2004). Intervenções sobre as práticas de cuidado e educação em cada etapa do desenvolvimento infantil podem auxiliar os pais na adoção do cuidado de forma adequada(MACARINI; CREPALDI; VIEIRA, 2016). O cuidado adequado é crucial na primeira infância, já que essa etapa é caracterizada pelo desenvolvimento emocional, social, cognitivo, sendo o melhor momento para promoção da saúde (JANZ; DAWSON; MAHONEY, 2000). Esse período tem uma peculiaridade: os pais desempenham um papel vital ao fornecer a seus filhos um ambiente positivo para garantir o desenvolvimento e estilos de vida saudáveis. Portanto, os pais representam um alvo principal na promoção da saúde das crianças(CHRISTENSEN, 2004).

Introdução
Tradicionalmente a maternidade e paternidade ser refere ao aspecto biológico do cuidado dos genitores. Porém, é na convivência diária que se constrói uma outra forma de parentalidade: a parentalidade psicológica conhecidas como maternagem e paternagem, as quais são diferentes das biológicas e dizem respeito à interação genitor-filho. É nos cuidados materiais, físicos e psíquicos contínuos que se vão estabelecer os laços de maternagem e de paternagem constitutivos da parentalidade (CEZAR-FERREIRA; MACEDO, 2016). Com o avanço das tecnologias reprodutivas e as novas configurações familiares, observa-se o desenvolvimento de novas possibilidades de exercício da parentalidade (GRADVOHL; OSIS; MAKUCH, 2014). A parentalidade é um termo relativamente recente, que começou a ser utilizado na literatura psicanalítica francesa a partir dos anos 60 para marcar a dimensão de processo e de construção no exercício da relação dos pais com os filhos (ZORNIG, 2010). O estabelecimento de laços entre os pais e o bebê favorece seu desenvolvimento afetivo e cognitivo e também propicia aos pais o sentimento de serem "pais suficientemente bons" especificamente para aquele bebê (ZORNIG, 2010). A dimensão simbólica do acesso à parentalidade transforma definitivamente o psiquismo de cada um dos pais. Também as relações entre pais e filhos são influenciadas pela história infantil de cada um dos pais e pelo modelo de relação amorosa que eles internalizaram. O exercício da parentalidade na sociedade contemporânea depara-se com novos desafios, não sendo apenas algo do domínio privado, passando também a ser algo do domínio da política pública, em estruturas e serviços para permitir aos progenitores aprender e praticar boas práticas parentais(COUNCIL OF EUROPE, 2006). Essa posição é ainda demonstrada pela Convenção dos Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 20 de novembro de 1989 e ratificada no Brasil em 1990 em que é defendido, que o desenvolvimento da criança deve ser efetuado pela ajuda aos pais, por serem estes os principais educadores, mas também com o apoio do estado (UNICEF, 1989). Na área da saúde, novas estratégias no âmbito da saúde da mulher e da criança vêm apostando no papel dos pais na promoção da saúde dos filhos (RIBEIRO; GOMES; MOREIRA, 2015). O apoio na parentalidade positiva é fundamental nos primeiros anos de vida e exige uma abordagem positiva a partir da potencialidade dos pais e da família, implicando exigências e desafios para os enfermeiros (LOPES; CATARINO; DIXE, 2010). A promoção da saúde na infância incentiva a adoção de estilos de vida saudáveis sendo uma das intervenções com melhor custo-benefício se considerarmos o possível impacto durante toda a vida (GUYER et al., 2009).

Objetivo Geral
Promover atividades de promoção à saúde e ao denvovlimento infantil, exercicio da paternidade ativa e trasnformação dos serviços de saúde do municipio de Alfernas.

Objetivos Específicos
• Realizar consulta de enfermagem às famílias na unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF), visando promover o desenvolvimento infantil e o exercício da paternalidade ativa; • Realizar visitas domiciliares para consulta de enfermagem; • Realizar grupos, oficinais temáticas e rodas de conversa para educação em saúde; • Promover a aplicação de conhecimentos adquiridos na academia e o desenvolvimento de competências profissionais para atuação do futuro profissional da saúde na atenção básica; • Estimular o desenvolvimento de uma postura crítico-reflexiva, humanizada, com integralidade na atenção, para elaboração de práticas de acordo com as demandas da atenção básica à saúde; • Proporcionar a interação entre os atores do cuidado em saúde e vivência de situações que permitam o desenvolvimento da autonomia do discente para a construção ativa de conhecimento, por meio da vivência e busca de informações significativas no processo de conhecer, compreender, propor e agir para a resolução de uma situação problema; • Proporcionar a articulação entre saberes acadêmicos e aqueles oriundos do cotidiano prático da atenção básica à saúde e contexto social dos usuários; • Capacitar as famílias para o desenvolvimento das suas potencialidades na promoção da saúde; • Diagnosticar as necessidades expressas pelos pais das crianças inscritas na ESF inerentes ao exercício do seu papel parental; • Harmonizar práticas de diagnóstico, planeamento e avaliação inerentes ao cuidado em enfermagem, no que concerne à promoção de competências parentais, nas consultas de puericultura, pré-natal e no domicílio; • Fornecer informação orientadora nos cuidados antecipatórios, dirigida às famílias, para maximização do potencial de desenvolvimento infantil; • Criar e aproveitar oportunidades para trabalhar com a família e a criança/jovem no sentido da adoção de comportamentos potenciadores de saúde; • Promover o encontro entre pais de filhos, como oportunidade de partilha de experiências, preocupações e estratégias utilizadas; • Sensibilizar e mobilizar as famílias para o estimulo adequado ao desenvolvimento infantil em cada fase; • Promover a articulação de atividades de extensão e pesquisa, a partir de parcerias com projetos de pesquisa que propiciem benefícios às crianças e suas famílias, respeitando os preceitos éticos para desenvolvimento das mesmas.

Justificativa
As pesquisas desenvolvidas sobre a primeira infância nas últimas décadas apresentam um bebê ativo desde o nascimento, com competências e capacidades que lhe permitem interagir o mundo e com seus objetos. Em oposição ao que se acreditou por muito tempo, o bebê, desde o início, ao invés de estar centrado sobre si mesmo, engaja-se em trocas emocionais significativas com seus cuidadores (ZORNIG, 2010). Entretanto, pais precisam ser ensinados sobre as capacidades sensoriais do bebê e os profissionais de saúde que prestam atendimento às famílias e gestantes precisam ter sua formação atualizada e aprimorada (MURTA et al., 2011). A necessidade de auxílio aos pais é cada vez maior, considerando a realidade das famílias em que as agendas estão cada vez mais cheias com demandas profissionais e sociais, sobrando pouco espaço para um treinamento abrangente sobre as habilidades necessárias para a parentalidade (SADLER; ANDERSON; SABATELL, 2001) e para a promoção da saúde. Também existe um interesse internacional em desenvolver intervenções de promoção da saúde diversificadas que ultrapassem as tradicionais mensagens sobre o estilo de vida saudável. A parentalidade positiva integra o conjunto de funções atribuídas aos pais para cuidarem e educarem os seus filhos e é definida por comportamentos e valores parentais, baseados no melhor interesse das crianças. Pode ser descrita como promoção do desenvolvimento de relacionamento positivo e optimização do potencial desenvolvimento das crianças ou também como parentalidade no melhor interesse da criança. Tem como princípios básicos o reconhecimento das crianças e dos pais como titulares de direitos e sujeitos a obrigações, com um potencial natural e pluralista e parceiros essenciais na optimização do potencial de desenvolvimento das crianças (COUNCIL OF EUROPE, 2008). O enfoque no papel parental é indissociado de uma prática de Enfermagem em Pediatria, sustentada em modelos teóricos, evidência científica e documentos norteadores da profissão, que demonstram a importância dos pais como principais cuidadores da criança (PATRÍCIO, 2011). Apesar de ainda pouco discutida na Enfermagem, a Parentalidade Positiva foi recentemente incorporada como foco de atenção, denominado de “Parentalidade Efetiva –Positive Parenting”, na versão 2.0 da Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE). Cabe por isso, avaliar o desenvolvimento da parentalidade e o exercício do papel parental. Na linguagem qualificada de enfermagem, o papel parental é definido como: “papel de membro da família: interagir de acordo com as responsabilidades de ser pais; internalizar a expectativa mantida pelos membros da família, amigos e sociedade relativamente aos comportamentos apropriados ou inapropriados do papel de pais, expressar estas expectativas sob a forma de comportamentos, valores; sobretudo em relação à promoção do crescimento e desenvolvimento ótimos de um filho dependente.” (CIPE, 2013). Os enfermeiros ocupam uma posição privilegiada na promoção desta temática, pela proximidade com os pais nos diferentes contextos da prática de cuidados à criança. Os cuidados centrados na família, prestados em parceria com Enfermagem Pediátrica busca preservar o crescimento e desenvolvimento da criança e incentivar os cuidados de proteção, estímulo e amor, reconhecendo que os pais são os melhores prestadores de cuidados à criança), a relação de parceria estabelecida, assentou em dois princípios fundamentais(APOLINÁRIO, 2012).

Beneficiário
Pais, mães, crianças e adolescentes atendidos na Estratégia de Saúde da Família, escolas e rede do município de Alfenas.