FITOTERAPIA APLICADA AO SUS

Apresentação
A criação deste curso originou-se pela procura, por partes dos profissionais da rede de saúde pública de Alfenas e região e alunos do curso da UNIFAL. Este curso tem como objetivos capacitar os discentes e profissionais da rede de saúde ao conhecimento desta técnica, de modo a vivenciá-la e servir como escolha de alternativa de tratamento para melhor atendimento aos seus pacientes, possibilitando a integração das diversas áreas do conhecimento. O curso será realizado em dois módulos de 4 horas totalizando 8 horas. O primeiro módulo será abordado informações básicas sobre cultivo de plantas medicinais, assim como orientações sobre a preparação e o uso de remédios caseiros; e no segundo módulo discussão de casos clínico. Espera-se que o curso permita capacitação dos profissionais da rede e dos alunos dos cursos de graduação da Unifal e interação ensino-pesquisa-extensão e entre os diversos saberes.

Introdução
A utilização de plantas com fins medicinais, para tratamento, cura e prevenção de doenças, é uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade. No início da década de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que 65-80% da população dos países em desenvolvimento dependiam das plantas medicinais como única forma de acesso aos cuidados básicos de saúde, ressaltando que no Brasil seu uso é também promovido pela crise econômica ao custo elevado dos medicamentos industrializados e uma tendência dos consumidores a utilizarem produtos de origem natural. (VEIGA JUNIOR, PINTO e MACIEL, 2005; DA SILVEIRA, BANDEIRA E ARRAIS, 2008). Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária, em sua portaria no. 6 de 31 de janeiro de 1995, fitoterápico é “todo medicamento tecnicamente obtido e elaborado, empregando-se exclusivamente matérias-primas vegetais com finalidade profilática, curativa ou para fins de diagnóstico, com benefício para o usuário. A diferença entre planta medicinal e fitoterápico reside na elaboração da planta para uma formulação específica, o que caracteriza um fitoterápico (VEIGA JUNIOR, PINTO e MACIEL, 2005). A planta medicinal podendo ser obtido da planta fresca ou seca, por processo extrativo ou por prensagem como ocorre nos casos dos óleos. Diversas técnicas de extração podem ser utilizadas para sua obtenção, como a maceração, percolação, soxhlet, dentre outros (JARDIM, 2016). O exercício da fitoterapia representa uma prática sociocultural da comunidade, que vem sendo aceita e utilizada por médicos do mundo todo, ainda que estes tenham sido formados em instituições pertencentes a um modelo biomédico-farmacológico de atenção à saúde (VEIGA JUNIOR, PINTO e MACIEL, 2005). Esses produtos são utilizados para várias finalidades, sob diversas combinações (com medicamentos alopáticos, homeopáticos, entre outros) baseados em evidências históricas ou pessoais, onde geralmente não são atribuídos nenhum evento adverso (CALIXTO, 2000; FUNARI & FERRO, 2005).

Objetivo Geral
Este curso tem como objetivo capacitar os discentes com também aos profissionais da rede de saúde ao conhecimento desta técnica e aprimorar seus conhecimentos para melhor atendimento aos seus pacientes.

Objetivos Específicos
Contribuir para o conhecimento teórico e prático, proporcionando vivência com o tema como também melhor qualificação do aluno e profissionais da área da saúde.

Justificativa
O conhecimento sobre o uso correto dos fitoterápicos é de grande importância clínica. Mais de 5000 suspeitas de reações adversas relacionadas ao uso de ervas foram informadas a OMS antes de 1996 (DA SILVEIRA, BANDEIRA E ARRAIS, 2008). O aumento no número de reações adversas é possivelmente justificado pelo aumento do uso de plantas medicinais (GALLO et al., 2000). Padronização dos termos; promover e fortalecer trocas de informações seguras e propor uso correto de plantas medicinais são informações relevantes para uma boa assistência a comunidade (DA SILVEIRA, BANDEIRA E ARRAIS, 2008). Por se tratar de uma intervenção que faz parte das prática integrativas e complementares, vem de encontro ao atendimento às recomendações da OMS. O Ministério da Saúde brasileiro publicou no Diário Oficial da União, em maio de 2006, a Portaria 971, que criou a Política Nacional (PN) de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS). A Política estabeleceu a implantação e implementação de ações e serviços no SUS, com o objetivo de garantir a prevenção de agravos, a promoção e a recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, além de propor o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde, contribuindo com o aumento da resolubilidade do sistema, com qualidade, eficácia, eficiência, segurança, sustentabilidade, controle e participação social no uso, o que evidencia a necessidade e importância da capacitação dos alunos (por não ser um conteúdo do projeto pedagógico dos cursos da Unifal/MG) como também para profissionais da área da saúde (estimular a integração dos saberes e estreitamento dos vínculos entre a Universidade, os profissionais no serviço de Atenção Primária em Saúde).

Beneficiário
Serão beneficiados os alunos do curso da Unifal-MG, os profissionais da área da saúde da atenção básica do município da Alfenas/MG e região.