PREPAR - PRE-NATAL DO PARCEIRO

Apresentação
O Projeto de Extensão “PrePar – Pre-natal do parceiro” visa promover a inserção ativa do pai durante as atividades do pré-natal, consituindo-se como uma das principais ‘portas de entrada’ aos serviços ofertados pela Atenção Básica em saúde a esta população, ao enfatizar ações orientadas à prevenção, à promoção, ao autocuidado e à adoção de estilos de vida mais saudáveis. Se baseia na ideia de aproveitar a sua presença nas consultas relacionadas à gestação para ofertar exames de rotina e testes rápidos, convidando-os a participarem das atividades educativas e ao exercício da paternidade consciente, buscando a integralidade no cuidado a esta população. A paternidade não deve ser vista apenas do ponto de vista reprodutivo legal, mas, sobretudo, como um direito do homem a participar de todo o processo, desde que a decisão de ter ou não filhos, como e quando tê-lo bem como do acompanhamento da gravidez, do parto, pós-parto e da educação da criança (BRASIL, 2012).

Introdução
Tradicionalmente, as estratégias e ações de saúde do Sistema Único de Saúde voltadas aos direitos reprodutivos, incluindo o acompanhamento da gestação e o momento do parto, têm se centrado quase que exclusivamente nas mulheres e/ou no binômio mãe-criança. No entanto, estudos ressaltam a importância e os resultados positivos do engajamento ativo dos homens em todo esse processo. A gestãção é um assunto de homem e estimular a participação do pai/parceiro durante todo esse processo pode ser fundamental para o bem estar biopsicossocial da mãe, do bebê e dele próprio, sendo o pré-natal o momento oportuno e propício (BRASIL, 2016a). A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) instituída 2009, tem como objetivo facilitar e ampliar o acesso com qualidade da população masculina, na faixa etária de 20 a 59 anos, às ações e aos serviços de assistência integral à saúde da Rede SUS, mediante a atuação nos aspectos socioculturais, sob a perspectiva relacional de gênero e na lógica da concepção de linhas de cuidado que respeitem a integralidade da atenção, contribuindo de modo efetivo para a redução da morbimortalidade e melhores condições de saúde desta população(BRASIL, 2016a). A PNAISH aposta na perspectiva da inclusão do tema da paternidade e cuidado, por meio do Pré-Natal do Parceiro, nos debates e nas ações voltadas para o planejamento reprodutivo como uma estratégia essencial para qualificar a atenção à gestação, ao parto e ao nascimento, estreitando a relação entre trabalhadores de saúde, comunidade e, sobretudo, aprimorando os vínculos afetivos familiares dos usuários e das usuárias nos serviços ofertados. Além desse importante efeito, estas ações têm grande potencial para auxiliar em um dos principais objetivos da política: ampliar o acesso e o acolhimento dos homens aos serviços e programas de saúde e qualificar as práticas de cuidado com sua saúde de maneira geral no âmbito do SUS. Além da PNAISH, medidas legais auxiliam na participação ativa do pai, como a promulgação da Lei 13.257/2016, que dispõe sobre as políticas públicas para primeira infância. Dentro dessa lei, existem artigos específicos ligados ao exercício da paternidade ativa e consciente, como ampliação da licença paternidade para os funcionários das empresas cidadãs que agora tem direito a 20 dias. Também ficou garantido o direito ao pai de se ausentar do trabalho, de até 2 (dois) dias, para acompanhar consultas médicas e exames complementares durante o período de gravidez de sua esposa ou companheira (BRASIL, 2016b). Por outro lado, ainda há resistências naturais a qualquer mudança de paradigmas por parte de alguns gestores/as, trabalhadores/as de saúde e uma parcela significativa da população masculina e feminina no que tange ao engajamento dos homens nesses temas(BRASIL, 2016a).

Objetivo Geral
• Promover a inserção do parceiro na consulta de pré-natal buscando a participação ativa do pai desde o processo gestacional, no parto e pós-parto., bem como no exercício da paternalidade e no autovuidado.

Objetivos Específicos
• Disseminar uma cultura positiva sobre pais e paternidade, reconhecendo a importância do papel dos pais para a socialização e a educação das crianças, considerando a complexidade deste papel, muito além da visão tradicional onde pai significa apenas provedor. • Sensibilizar os trabalhadores da saúde para acolher e envolver os pais/parceiros desde o teste de gravidez, permitindo que estes se identifiquem com a proposta e possam vincular-se desde cedo a esta criança que virá a nascer; • Explicar para a gestante e para o pai/parceiro os benefícios da participação dele em todas as etapas da gestação, desde as consultas de pré-natal até o momento do parto e do pós-parto; • Informar a população sobre os direitos dos pais, como por exemplo, a licença paternidade de 05 (cinco) dias, garantidos por lei ou 20 (vinte) se empresa cidadã ou funcionário público da esfera federal. • Divulgar amplamente a Lei do Acompanhante nº 11.108/2005, estimulando que esse acompanhante - inclusive no caso de pais adolescentes - seja o pai/parceiro, respeitando a livre escolha da mulher. • Orientar como o pai/parceiro pode estimular e favorecer a amamentação de sua parceira, além de dividir as atividades domésticas e tarefas de cuidado com a criança.

Justificativa
A educação em saúde na preparação para a gestação, paternidade e maternidade aos futuros pais fortalece sua segurança no período pré-natal, aumentando sua confiança durante a gravidez e na prestação de cuidados ao bebê. Homens que recebem preparo para a paternidade são mais participantes no apoio às companheiras durante a gestação, nascimento e cuidado do bebe (PLUCIENNIK; LAZZARI; CHICARO, 2015). O pré-natal caracteriza-se por uma etapa crucial no ressignificado da relação entre pai e filho(a), sendo uma oportunidade propícia para a inclusão e participação do mesmo durante todo esse processo, auxiliando na criação de um vínculo desde a barriga da mãe, fazendo com que o companheiro consiga materializar o filho antes mesmo do seu nascimento (MOREIRA; GOMES; RIBEIRO, 2016). Devido ao seu caráter informativo, integrativo e preventivo associado à atividades participativas o pré-natal, dispõe de grande potencial quanto ao fortalecimento de relações, auxiliando no acolhimento e ampliando o acesso ao serviço (BRASIL, 2016). Cabe registrar também que o pré-natal é de extrema importância, dada a relevância da fase intrauterina para o desenvolvimento infantil, especialmente no que se refere à formação e maturação dos sistemas imunológico e nervoso(NAUDEAU et al., 2010). O Pré-Natal do Parceiro propõe-se a ser uma das principais ‘portas de entrada’ aos serviços ofertados pela Atenção Básica em saúde a esta população, ao enfatizar ações orientadas à prevenção, à promoção, ao autocuidado e à adoção de estilos de vida mais saudáveis. Se baseia na ideia de aproveitar a sua presença nas consultas relacionadas à gestação para ofertar exames de rotina e testes rápidos, convidando-os a participarem das atividades educativas e ao exercício da paternidade consciente, buscando a integralidade no cuidado a esta população (BRASIL, 2016a). A gestação funciona, para os pais, como um perÌodo de preparação para os novos papéis que deverão assumir (JAGER; BOTTOLI, 2011), frente ao bebê e a tudo que ele ir· exigir. A trajetória masculina rumo à parentalidade difere da feminina, por issoa formação do vÌnculo entre pai e filho consolidar-se-á mais tardiamente após nascimento e no decorrer do desenvolvimento da criança (PICCININI et al., 2004). A participação do pai no pré-natal e nos cuidados com a criança após o nascimento também podem contribuir para diminuir a violência na família e o abandono do lar. Além da importante questão sobre o exercício ativo da paternidade consciente, é uma importante forma de intervenção precoce, pois os homens geralmente acessam o sistema de saúde por meio da atenção especializada, já com o problema de saúde instalado e evoluindo de maneira insatisfatória (BRASIL, 2016a) A literatura aponta que os principais impasses para o Pré-natal do Parceiro são: a falta de iniciativa dos profissionais de saúde para promover ações que incluam o homem, contrariando as políticas públicas vigentes, que preconizam a participação do parceiro durante as atividades relacionadas ao pré-natal. Além disso, as questões de gênero, que ainda predominam (OLIVA; NASCIMENTO; ESPÍRITO SANTO, 2010). As experiências e interações vividas pelos pais com seus próprios genitores e o modo como "aprenderam a ser pai" são aspectos que também influenciam à não participação nas consultas de pré-natal (SILVA; SILVA; BUENO, 2014). Entretanto, muitos homens criados no modelo de paternidade tradicional preocupam-se cada vez mais em reformular o papel e as responsabilidades atribuídas a partir do momento em que se tornam pai, esforçando-se gradativamente em participar das consultas (SILVA; SILVA; BUENO, 2014). Nos serviços de saúde, os profissionais ocupam um papel estratégico na conquista da presença dos homens, no apoio às decisões relativas ao seu cuidado e de quem com eles convive. A implementação da PNAISH depende de uma cadeia de decisões tomadas por agentes, entre os quais gestores municipais e profissionais que atuam nos serviços. (LEAL; FIGUEIREDO; NOGUEIRA-DA-SILVA, 2012) Agentes que têm perspectivas particulares sobre o que seria mais apropriado à promoção da saúde dos homens naquele determinado contexto. Portanto, cabe compreender como interpretam essa presença e como desenvolvem estratégias de abordagem. O enfermeiro(a) e/ou o(a) médico(a), como integrante dessa equipe são responsáveis pela realização do pré-natal na atenção básica, devendo proporcionar o acolhimento na unidade e sua integração ao processo. A atuação do enfermeiro como membro da equipe e responsável pelo atendimento das consultas de pré-natal na atenção básica é essencial tanto na orientação do pai sobre o seus direitos como, por exemplo, o de acompanhar a gestante nas consultas de pré-natal no momento do parto e pós-parto.

Beneficiário
pais e gestantes nas unidades da Estratégia de Saúde da Família do município de Alfenas.