MUSEUS E PATRIMÔNIOS: EXPERIÊNCIAS DA UNIFAL-MG

Apresentação
Desde 2009, com o inicio das atividades do Museu da Memória e Patrimônio da Universidade Federal de Alfenas – MMP-UNIFAL-MG, ações de extensão tem sido desenvolvidas, a nível de programas, projetos, cursos e eventos, relativas ao tema dos museus e patrimônios. Atualmente, o Prédio A da UNIFAL-MG tem abrigado tanto o Museu da Memória e Patrimônio – que possui dois projetos de extensão e um evento anual regular – quanto o Museu de História Natural (futuro Espaço Ciência), que abriga desde 2016 um projeto de extensão e também a atividade Macrocélula. A proposta desse programa inédito, é confluir tais ações de extensão, visando potencializá-las em seu gerenciamento, cujo resultado será fomentar a importância dos museus e patrimônios, para a cidade de Alfenas e região, tendo como referência para tal a UNIFAL-MG.

Introdução
Desde 2009, com o inicio das atividades do Museu da Memória e Patrimônio da Universidade Federal de Alfenas – MMP-UNIFAL-MG, ações de extensão tem sido desenvolvidas, a nível de programas, projetos, cursos e eventos, relativas ao tema dos museus e patrimônios. Atualmente, o Prédio A da UNIFAL-MG tem abrigado tanto o Museu da Memória e Patrimônio – que possui dois projetos de extensão e um evento anual regular – quanto o Museu de História Natural (futuro Espaço Ciência), que abriga desde o ano de 2016 um projeto de extensão e também a atividade Macrocélula. A proposta para esse programa inédito, é confluir tais ações de extensão visando potencializá-las em seu gerenciamento, cujo resultado é fomentar a importância dos museus e patrimônios para a cidade de Alfenas e região, tendo como referência para tal a Universidade Federal de Alfenas. Assim, a imensa responsabilidade de gerenciar museus que atendam a demanda da UNIFAL-MG, considerando seus acervos e as exposições que são elaboradas e apresentadas, torna-se também um prazer dividido, por perceber resultados e impactos, na própria comunidade e mais: na vida de cada voluntário participante das ações. Esperamos propiciar, aos que atuarem no programa, principalmente discentes, mas também em toda comunidade, uma relação diferenciada com Museus e patrimônios, a partir de ações de extensão que, além de serem intrinsecamente culturais, são essencialmente pedagógicas.

Objetivo Geral
Potencializar e reunir as ações de extensão relativas a museus e patrimônios desenvolvidas pela UNIFAL-MG.

Objetivos Específicos
- Propiciar um espaço de intercâmbio e trocas de saberes gerados pelas distintas ações museais e patrimoniais da UNIFAL-MG; - Promover a importância dos museus e patrimônios da UNIFAL-MG, tanto para a comunidade acadêmica quanto externa.

Justificativa
Para Brulon Soares, as manifestações tradicionais de museus, desde o século XVIII, foram constituídas na reapropriação e reconstrução do conceito de clássico, tornando-se instituições que prescreviam um modo rebuscado e distinto de ser, endossadas pelos Estados-Nação e apossadas por uma elite, para servir aos seus interesses, legitimando a autoridade da burguesia. O papel dos museus, muito definido na época, era formar indivíduos para uma sociedade que reivindicava para si a condição de civilização (BRULON SOARES, 2011, p. 54). Museus – assim como a apropriação de obras de arte – foram durante muito tempo constituídos por uma relação social de distinção (BOURDIEU, 2013, p. 213). Como Bourdieu aponta, por meio de investigações, a prática cultural de frequência a museus, está associada aos níveis de instrução, primeiramente, e em segundo plano à origem social (BOURDIEU, 2013, p. 9). Apesar de o autor considerar a premissa de que museus fazem parte dos nossos costumes, a classe dominante via essa forma de museu tradicional, como “seu privilégio exclusivo” e, “torna-lo mais acessível é, portanto, retirar-lhes algo, uma parcela do mérito dessas pessoas, uma parcela de sua realidade” (2007, p. 20; 2013, p. 215). No entanto, quando a classe dominante (que para Bourdieu é a classe burguesa) que reivindicava a posse dos museus, aceitou todas as mudanças que visaram à entrada ou apropriação de outras classes sociais, o fizeram se dispondo a “entregarem aos outros seu museu [...] já que eram as únicas pessoas capazes de reivindicar sua posse”. Esse privilégio está inserido em um sistema educativo, que reforça a importância dos museus como algo inerente a uma “necessidade cultural” (BOURDIEU, 2007, p. 69). Tanto a forma, como as funções dos museus, sofreram significativas mudanças ao longo de sua trajetória e isso tem se dado por uma demanda das diferentes sociedades ou comunidades que se apropriam desse fenômeno social. Apesar de o museu ser reivindicado primordialmente por um modelo de sociedade e um determinado estamento social, como apontamos acima, outros grupos e comunidades reivindicaram o museu para si. Na atualidade diferentes coletividades possuem seus próprios museus: grupos indígenas, quilombolas, comunidade LGBTQIA, entre outras; e os museus universitários, que de coleções científicas, reconhecidas mundialmente por sua importância, também tem dado um viés comunitário às suas ações. Nesse viés comunitário, os museus universitários têm promovido ações que visam não simplesmente à proteção de seus patrimônios ou sua difusão para a sociedade, mas a apropriação por parte da sociedade dessas coleções. Em outras palavras, intentamos transmitir às diferentes comunidades – externas e internas – que os museus universitários e seus patrimônios pertencem a elas, das quais poderão usufruir da melhor forma. Nesse sentido, ações de extensão têm sido primordiais, não somente para fazer tal ponte, mas também para permitir que a comunidade participe na produção de novos conhecimentos museais e patrimoniais. No caso da UNIFAL-MG, ações de extensão voltadas para os museus e patrimônios têm sido realizadas desde 2008, por meio de cursos de capacitação (Oficinas de Educação em Museus, Elaboração de Projetos Museológicos, Expografia, entre outras; Curso de Introdução aos Museus e à Museologia); eventos (as dez edições da Semana Nacional de Museus na UNIFAL-MG e cinco edições da Primavera dos Museus); projetos de extensão que propiciam a participação comunitária na preservação e difusão de suas coleções (projetos “Planejando o Museu da UNIFAL-MG: a relação dos discentes com o Patrimônio e a Memória da UNIFAL-MG” e “EducAmbiental no Museu de História Natural”), além da construção dos conceitos de museu e patrimônio no Sul de Minas Gerais (Projeto “Museu de cada um, patrimônios de todos nós: brincando de construir ideias sobre Museus e Patrimônios no Sul de Minas Gerais”); e ações de difusão do conhecimento científico-acadêmico de maneira lúdica e para além da formalidade do ensino (Atividade “Macrocélula”). Tais ações, até então estavam sendo promovidas de maneira isoladas, pelo Museu da Memória e Patrimônio, pelo Museu de História Natural e por um coletivo de alunos do PIBID de Ciências Biológicas, coordenado pela Prof.ª Andrea Paffaro. Portanto, a intenção principal do programa aqui proposto, é a união das forças das ações já com tradição em seu desenvolvimento e por diversas ocasiões parceiras na execução, que tem como objetivo em comum a participação das diferentes comunidades no (re)conhecimento e apropriação dos museus e patrimônios pertencentes à UNIFAL-MG, potencializando tais ações, sendo todas elas essencialmente extensionistas.

Beneficiário
Servidores, colaboradores e discentes da UNIFAL-MG; membros da comunidade externa, incluindo visitantes pertencentes a grupos agendados previamente, como instituições de ensino públicas e privadas, de todos os níveis de ensino, desde educação infantil até superior, da cidade de Alfenas e região.