ASSISTÊNCIA AOS PACIENTES COM LESÕES BUCAIS DECORRENTES DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO NO SERVIÇO DE ONCOLOGIA DO HOSPITAL DA SANTA CASA DE ALFENAS

Apresentação
A avaliação e acompanhamento estomatológico dos pacientes que deverão se submeter às terapias antineoplásica é de grande importância visto que vários efeitos adversos podem surgir quando a cavidade oral e glândulas salivares são expostas à radiação ionizante e/ou aos agentes quimioterápicos. Esses efeitos podem impactar negativamente no curso do tratamento e na qualidade de vida do paciente oncológico. Considerando a importância da da atuação do cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar que trata o paciente com câncer, este projeto tem por finalidade identificar e tratar as complicações orais oriundas do tratamento antineoplásico de pacientes admitidos no serviço de oncologia da Santa Casa de Alfenas a fim de minimizar a morbidade e as interrupções do tratamento do tratamento proposto, melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes em tratamento antineoplásico.

Introdução
Os pacientes com diagnóstico de câncer demandam de uma série de cuidados e uma abordagem transdisciplinar antes, durante e após o seu tratamento. Isso se deve porque além da sua doença de base, vários efeitos adversos oriundos do tratamento antineoplásico podem surgir contribuindo para a redução da qualidade de vida ou até mesmo a interrupção do tratamento. A cirurgia, a radioterapia (RT) em região de cabeça e pescoço e a quimioterapia (QT), que são importantes modalidades de tratamento antineoplásico, também são capazes de causar efeitos adversos passageiros ou permanentes na cavidade bucal porque tais modalidades de tratamento não conseguem distinguir as células neoplásicas das células normais. O efeito tóxico secundário à QT e/ou à RT mais observado e de maior morbidade ao paciente oncológico é a mucosite oral (MO). Além da MO, outros efeitos orais adversos relacionados à terapia antineoplásica são a xerostomia e a hipossalivação, disgeusia/ageusia, disfagia/odinofagia, neurotoxidade, trismo, infecções oportunistas, doença cárie por radiação e a osteorradionecrose (Bezinelli et al., 2014; Bodem et al., 2015; Khan et al., 2015; Lalla et al., 2015; Rice et al., 2015; Cheng et al., 2017).

Objetivo Geral
Integrar o cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar da equipe oncológica no Serviço de Oncologia do Hospital da Santa Casa de Alfenas, sul de Minas Gerais, e identificar e tratar as complicações orais oriundas do tratamento antineoplásico.

Objetivos Específicos
1. Identificar e tratar as complicações orais (mucosite oral, xerostomia, hipossalivação, disgeusia/ageusia, disfagia/odinofagia, neurotoxicidade, trismo, infecções oportunistas, doença cárie por radiação e a osteorradionecrose) oriundas do tratamento antineoplásico no Serviço de Oncologia da Santa Casa de Alfenas. 2. Identificar o grau de agressividade dessas complicações. 3. Associar as complicações orais com o perfil epidemiológico e com as comorbidades identificadas. 4. Avaliar a presença e a gravidade das complicações orais correlacionando com o número de ciclos de quimioterapia e/ou número de sessões de radioterapia. 5. Avaliar a prevalência das complicações orais em pacientes afetados com diferentes tipos de neoplasia maligna. 6. Orientar os pacientes quanto à higienização oral. 7. Acompanhar o paciente durante e após o tratamento antineoplásico. 8. Realizar avaliação odontológica para adequação da saúde bucal anteriormente ao início do tratamento radioterápico ou quimioterápico na região de cabeça e pescoço. 9. Realizar a aplicação de laserterapia para tratamento de mucosite oral associada ao tratamento radio e/ou quimioterápico.

Justificativa
Considerando que as complicações orais representam importantes efeitos colaterais oriundos do tratamento antineoplásico, podendo acarretar, em decorrência de sua morbidade, interrupção parcial ou completa do tratamento, o que compromete negativamente na qualidade de vida do paciente, no prognóstico da doença, além de alterar a taxa de sobrevida do paciente, há grande necessidade do cirurgião dentista em reconhecer e tratar tais condições orais patológicas identificadas em pacientes sob tratamento oncológico. É preciso desenvolver medidas que visem à melhoria da condição oral e da qualidade de vida desses pacientes, a fim de prevenir e minimizar os efeitos negativos e/ou complicações decorrentes da terapia antineoplásica e do curso da própria doença. Para tanto é necessário que o cirurgião-dentista esteja inserido na equipe multidisciplinar da equipe oncológica para reconhecer e tratar as complicações orais oriundas do tratamento antineoplásico no Serviço de Oncologia do Hospital da Santa Casa de Alfenas, sul de Minas Gerais, a fim de minimizar a morbidade e as interrupções do tratamento proposto, melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes em tratamento antineoplásico.

Beneficiário
Todos os pacientes atendidos no Hospital da Santa Casa de Alfenas que apresentarem complicações orais em decorrência do tratamento antineoplásico.