COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM: AÇÕES DIALÓGICAS NA REDE MUNICIPAL

Apresentação
O projeto aqui desenvolvido tem como objetivo promover uma transformação social e educativa do município de Alfenas e região por meio da realização de formação continuada na área de educação. O projeto será desenvolvido a partir da proposta educativa das Comunidades de Aprendizagem (FLECHA, 1997; MELLO, 2012; AUBERT et al 2008), cuja centralidade está no diálogo freireano como orientador das ações e práticas que serão realizadas a partir das formações oferecidas no decorrer de todo o projeto

Introdução
O projeto denominado Ações dialógicas: educação e transformação social, fará a interação com os docentes da rede municipal de Alfenas e região em forma de formação continuada a pedido do próprio Município, no sentido de contribuir para a melhoria de suas condições educativas e formativas. Assim, para o estabelecimento desse processo da transformação social e educativa, partiremos de um referencial freireano de diálogo por entender que Paulo Freire (1997, 1999) indica a palavra como veículo do diálogo, destacando a indissociabilidade entre a reflexão e a ação, para que a palavra não se torne uma expressão vazia (verbalismo ou ativismo). A palavra verdadeira, para ele, será a palavra comprometida com a transformação e dita na interação entre as pessoas, de modo igualitário. Para ele, a relação dialógica implica falar com, e não falar por ou para, pois não se trata da conquista de uma pessoa por outra, mas sim de uma conquista do mundo pelos sujeitos dialógicos. Podemos afirmar que o objetivo de trabalhar em uma perspectiva dialógica de formação de professores se enquadra em uma ampla concepção de aprendizagem, que tem seus fundamentos nas práticas desenvolvidas dentro das Comunidades de Aprendizagem, processo este que envolve uma transformação do contexto educativo em conjunto com familiares e profissionais da Universidade e da escola, de forma a melhorar e acelerar as aprendizagens entre todas as pessoas. Inúmeras investigações (CASTELLS 1994; AUBERT et al. 2008; FLECHA 1994) vem demonstrando que o século XXI é marcado por uma transição da sociedade industrial para a sociedade da informação e nesse sentido cabe à escola também acompanhar esse processo, já que a educação cumpre um importante papel por ser uma das agências que possibilita desenvolver nas pessoas a capacidade de manejar a informação. Torna-se, assim, essencial a mudança no campo da aprendizagem, pois estamos em constante contato com altos índices de fracasso, estudantes desmotivados e ausentes e entendemos a necessidade de um diálogo com a escola e com as famílias e com a Universidade, no intuito de trocar experiências, conhecimentos e trabalhar a recriação de sentido para todas as pessoas envolvidas no processo educativo. Assim, como já nos ensinava Freire (2005) é preciso romper com um sistema de educação pautado numa visão bancária e incorporar o diálogo não somente na teoria, mas também nas práticas educativas, para que possamos acompanhar toda essa mudança nas relações familiares, sociais, educativas etc. Assim, entendemos que Universidade e escola dentro desse contexto, cumprem a responsabilidade e objetivo social de contribuir para o desenvolvimento regional e buscar soluções que permitam melhorar a qualidade de vida das populações e desenvolver ciência em conjunto com a comunidade local.

Objetivo Geral
Realizar processo de transformação social e educativa no município de Alfenas por meio de capacitações profissionais pautadas na proposta educativa das Comunidades de Aprendizagem

Objetivos Específicos
Contribuir na elaboração do plano decenal municipal - Contribuir para pensar uma gestão educativa pautada democratização e formação humanizadora - Colocar em prática as melhores experiências científicas no âmbito educativo, conhecidas como atuações educativas de êxito

Justificativa
A proposta do trabalho de formação dialógica de professores partiu do interesse e necessidade do próprio município e justifica a interação com a Universidade no sentido de cumprirmos a demanda da relação entre ensino, pesquisa e extensão, em um movimento de interação com a realidade social, permitindo que estudantes (graduação e pós-graduação) realizem experiências práticas e reflexivas em relação à realidade social e da profissão, viabilizando uma formação mais crítica e cidadã. Tendo em vista o contexto atual, denominado por muitos estudiosos como Sociedade da Informação (CASTELLS, 1994) e as necessidades por ele geradas, a proposta aqui desenvolvida parte de um referencial que nos ajuda a ampliar os espaços de diálogo e democracia nos centros educacionais, tanto por meio de uma gestão mais democrática, quanto por meio do estabelecimento de práticas de ensino e de aprendizagem mais dialógicas. Apresentamos aqui a proposta denominada Comunidades de Aprendizagem (MELLO, FLECHA, AUBERT), que implica em um projeto de transformação social e cultural na escola e no entorno porque envolve mudanças de hábitos e atitudes das famílias, profissionais da educação, alunos e alunas e de toda a comunidade, com o objetivo de construir uma escola onde todas as pessoas possam ter máxima qualidade de aprendizagem. Elboj e Oliver (2003) referem-se às Comunidades de Aprendizagem como um projeto de mudança da prática educativa que tem como objetivo central responder, de forma igualitária, as necessidades da atual sociedade e atuar em direção às transformações sociais que se estão produzindo (p. 95). As Comunidades de Aprendizagem apostam na democratização da escola por meio da participação e do diálogo (VALLS, 2000) e, objetiva a articulação dos diferentes agentes educativos de uma escola (professores/as, funcionários, familiares, estudantes, entorno da escola - voluntários), na busca de uma educação de qualidade para todos e todas. Em suas formulações teóricas e práticas, podemos dizer que se pauta nos princípios da Aprendizagem Dialógica (FLECHA, 1997). Para garantir sua funcionalidade em consonância com os princípios da aprendizagem dialógica, podemos afirmar que as Comunidades de Aprendizagem possuem alguns conceitos e princípios básicos, que as orientam, são eles: a Comunidade de Aprendizagem é um projeto de transformação social e cultural; é um projeto de centro educativo; é um projeto de entorno; tem como objetivo conseguir uma sociedade da informação para todas as pessoas; desenvolvem-se mediante uma educação participativa da comunidade. Nessa linha, destacamos que o processo de transformação de uma escola em uma Comunidade de Aprendizagem segue oito passos: fase de sensibilização, tomada de decisão, fase dos sonhos, seleção de prioridades, planejamento, investigação, formação e avaliação. Ressaltamos que não se trata de um modelo prescritivo e, pode ser repensado a partir da realidade de cada escola, porém o que é essencial é que a transformação seja desejada por todas as pessoas envolvidas (professorado, direção e familiares) e que entendam os objetivos do projeto e estejam em acordo para sua realização. (GIROTTO, 2011). De acordo com Elboj et al (2002): “nas comunidades de aprendizagem a participação ativa na elaboração do projeto educativo se abre a toda a comunidade e, especialmente, às famílias que são protagonistas e, nesse sentido, responsáveis pela educação de seus filhos e filhas. Rompe-se com a visão tradicional, segundo a qual a transmissão do conhecimento se concebe exclusivamente desde a figura do professorado e se incorpora o saber do resto das pessoas implicadas no projeto (ELBOJ et al., 2002, p. 29)”. Nesse sentido, de acordo com Mello (2008) na gestão dos centros educacionais, em Comunidades de Aprendizagem, a proposta é buscar uma organização escolar menos hierárquica e mais comunicativa, guiada por critérios formativos e não pela determinação fechada de papéis sociais estáticos. Os conhecimentos tácitos e diversificados de profissionais e não profissionais podem ser fontes de melhoria nesse sentido. Ao dialogar com as famílias, membros da comunidade local e alunado, reorganiza-se a escola para que seja mais democrática, juntamente com o fortalecimento dos órgãos colegiados já existentes. Defendemos, que as Comunidades de Aprendizagem podem ser definidas como uma experiência educativa inovadora, resultado de uma linha de investigação desenvolvida ao longo de vários anos pelo Centro Especial de Investigação em Teorias e Práticas Superadoras de Desigualdades (CREA), da Universidade de Barcelona. E, no Brasil, as escolas transformadas em Comunidades de Aprendizagem (em diferentes regiões) se organizam de modo similar, embora cada uma tenha o seu grau particular de vínculo com a comunidade ao redor. Dessa forma, justifica-se aqui a presente proposta por entender a possibilidade de colaborar com um projeto educativo e social do Município de Alfenas e região, como é a demanda atual.

Beneficiário
professores e demais profissionais da educação da rede pública e famílias do entorno da escola