CLÍNICA FELIZ

Apresentação
O objetivo deste projeto é realizar atividades educativas com crianças de 3 a 12 anos de idade atendidas na Clínica de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia (FO) da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG) enquanto aguardam atendimento odontológico. As atividades desenvolvidas visam reduzir ou eliminar as reações de medo e ansiedade da criança frente ao tratamento odontológico e contribuir para o seu desenvolvimento pessoal e comportamental, além de auxiliá-la na compreensão de cidadania, direitos e deveres sociais. O foco central da metodologia será a abordagem não-formal de educação através de atividades lúdicas como pintura, leitura, música, jogos, entre outras, respeitando-se os níveis de coordenação e cognição de cada criança. O diferencial do projeto baseia-se na interdisciplinaridade através da atuação conjunta de discentes dos cursos de Pedagogia e Odontologia da UNIFAL/MG, apoiados pelos docentes e funcionários da Clínica de Odontopediatria. Os relatos das experiências e dos resultados obtidos serão registrados em diários de campo pelos discentes e discutidos em reuniões semanais.

Introdução
A odontofobia em crianças é considerada um problema de saúde pública em muitos países. Cerca de 40% das crianças exprimem reações de medo e ansiedade no consultório odontológico (SHIM et al, 2015). Estudos revelam que semanas anteriores ao tratamento é possível que a criança já se sinta ansiosa em relação ao procedimento, sentimento que pode se prolongar até que o mesmo ocorra (MOURA et al. 2015). Dessa forma, políticas públicas de saúde foram instituídas no mundo a fim de melhorar a perspectiva humanística nos setores de atendimento ao paciente e minimizar desgastes físicos e emocionais durante a prestação de serviços de saúde. No Brasil, foi criada a Política Nacional de Humanização (PNH), em 2003, também conhecida como HumanizaSUS. Das mais variadas diretrizes que regem a PNH, destaca-se o Acolhimento, que consiste basicamente em estabelecer um relacionamento estável e de confiança entre os serviços de saúde pública e pacientes. O Acolhimento ganhou força somente com a Estratégia de Saúde da Família (ESF), em 2010, como uma ferramenta para Atenção Primária à Saúde (APS) (COUTINHO et al., 2015). Segundo Mota et al. (2014), o princípio de Acolhimento deve ser mais trabalhado nas atenções Secundária e Terciária à saúde. O autor ainda defende que a não adesão a essa diretriz contribui para permanência do modelo curativista e hospitalocêntrico, interferindo na produção de integralidade e interdisciplinaridade das ações de saúde. As salas de espera tem sido o espaço trabalhado por diversos profissionais, principalmente no atendimento pediátrico, a fim de cumprir o princípio de Acolhimento e diminuir a ansiedade pré-operatória das crianças (DA SILVA PEDRO et al. 2007). O papel do pedagogo tem sido cada vez mais valorizado nesses espaços, uma vez que os mesmos compreendem os processos de desenvolvimento da criança e o papel fundamental que as atividades lúdicas proporcionam na transformação da sala de espera de um ambiente passivo para um ambiente ativo. As crianças podem ocupar o tempo ocioso na sala de espera se beneficiando de atividades que promovem diminuição na ansiedade, lazer, integração com outras crianças, desenvolvimento cognitivo e motor, entre outros (SILVA, 2009). Para Veríssimo e Valle (2006), os grupos de sala de espera ainda necessitam de estudos mais profundos para se concluir qual é a forma mais produtiva em se ocupar o tempo ocioso dos pacientes. Diversos tipos de projetos de extensão, avaliaram a eficácia e a importância da utilização da sala de espera como instrumento para viabilizar estratégias educativas. No entanto, a maioria deles não utilizou instrumentos, como questionários validados, para comprovar concretamente a eficiência de suas metodologias. Os resultados obtidos se embasaram, na maioria das vezes, em depoimentos e relatos de experiência.

Objetivo Geral
O objetivo deste projeto é realizar atividades educativas com crianças de 3 a 12 anos de idade atendidas na Clínica de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia (FO) da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG) enquanto aguardam atendimento odontológico, tendo como eixo norteador a diretriz de Acolhimento da PNH (2003).

Objetivos Específicos
- Promover atividades lúdicas em uma abordagem não-formal de educação; - Desenvolver metodologias adequadas à cultura e necessidade de cada grupo de sala de espera; -Transformar a sala de espera de um ambiente passivo para um ambiente ativo do ponto de vista educacional; - Auxiliar no processo de desenvolvimento emocional, comportamental, motor e social da criança; - Diminuir as reações de ansiedade da criança e melhorar a aceitação ao tratamento odontológico; - Promover sensação de bem estar para o paciente; - Beneficiar o relacionamento profissional-paciente; - Promover conforto e tranquilidade aos acompanhantes; - Desenvolver princípios de integralidade, indissociabilidade e intersetorialidade da saúde; - Romper com o modelo mecanicista e biomédico de saúde; - Estabelecer vínculos de confiança do paciente e acompanhante aos serviços públicos de saúde; - Promover interdisciplinaridade entre os cursos de Odontologia e Pedagogia da UNIFAL/MG.

Justificativa
Por tradição, as salas de espera configuram-se um ambiente mecanicista e puramente burocrático, interferindo na satisfação do paciente com o tratamento e até mesmo com o profissional que presta atendimento. Além disso, uma sala de espera tediosa e agoniante aumenta a ansiedade, medo, desgaste físico e emocional, principalmente em crianças. Tais reações podem levar à piora do comportamento infantil no consultório e, até mesmo, à recusa ao tratamento. Sendo assim, justifica-se a realização desse projeto a fim de rearranjar a sala de espera de forma a minimizar ou eliminar a influência dos problemas relacionados à recepção para o atendimento em saúde. A proposta de trabalho com atividades pedagógicas vai de encontro à época escolar das crianças atendidas, o que favorece o processo de aceitação das atividades realizadas. Acredita-se que para um melhor desenvolvimento humano e cognitivo, a criança precisa estar assistida por profissionais que possam orientá-las

Beneficiário
Crianças atendidas na Clínica de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da UNIFAL/MG, discentes do curso de Odontologia que prestam atendimento e os envolvidos na realização das atividades educativas.