FÓRUM DE COMBATE AO USO DE AGROTÓXICO

Apresentação
O Brasil se tornou, nos últimos anos, o líder mundial de consumo de agrotóxicos e faz uso excessivo de venenos aplicados às lavouras desde os anos 1970, quando se consolidou o atual modelo do agronegócio, baseado na Revolução Verde. Isso gerou diversos problemas: por um lado, os agricultores se tornaram reféns deste modelo produtivo, controlado pelas empresas transnacionais; por outro, a expansão do uso de agrotóxicos, trouxe consigo a contaminação da vida, prejudicando tanto a saúde dos trabalhadores que manipulam diretamente os agrotóxicos, quanto os consumidores que se alimentam de produtos contaminados. O cenário é trágico porque se trata de um modelo degradante, visto que polui o meio ambiente e envenena a saúde das pessoas. É a partir dessa problemática que propomos a criação de um fórum de combate aos agrotóxicos cujo objetivo é sensibilizar e mobilizar a população local e regional sobre os riscos da utilização dos agrotóxicos para a saúde humana e para o meio ambiente.

Introdução
Não é de hoje a constatação feita por diversas instituições de pesquisa, do mundo todo, de que o uso excessivo de agrotóxicos na agricultura pode trazer riscos para a saúde humana e para o meio ambiente. São diversas as provas concretas dos males causados pelos agrotóxicos tanto para quem os utiliza nas plantações e práticas agrícolas, sobretudo para os trabalhadores que manipulam tais produtos, como para os consumidores que consomem alimentos contaminados com níveis elevadíssimos de agrotóxicos aplicados às frutas, verduras e legumes que encontramos à disposição nas feiras e supermercados de todas as cidades brasileiras. Em 2011, o Brasil passou à primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxicos, inclusive continuando a consumir diversos agrotóxicos proibidos em outras partes do mundo, como o Glifosato. Podemos dizer que essa posição ingrata e arriscada que o Brasil ocupa é resultado da hegemonia do modelo do agronegócio mundial que vigora em nosso país desde os anos 1970, quando se colocou em prática as ideias da chamada Revolução Verde, a fim de modernizar nossa agricultura. O resultado não poderia ser outro: tornamos-nos dependentes das empresas transnacionais que controlam a cadeia produtiva de diversos setores agrícolas, desde a produção de semente e insumos até a comercialização das commodities no mercado externo. Dessa forma, tais empresas lucram não só explorando nossas riquezas naturais e forças de trabalho, mas ganham bilhões de dólares com a produção de agrotóxicos, envenenando a população brasileira e produzindo o adoecimento de milhares de homens, mulheres e crianças, que podem desenvolver, por exemplo, esterilidade, cataratas, mutagenicidade, reações alérgicas, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, no sistema imunológico e no sistema endócrino, desenvolvimento de câncer, dentre outros agravos à saúde. Por isso que em 2011, no dia mundial da saúde, nasce – como resultado da organização de uma frente de movimentos sociais – a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida cujo objetivo é sensibilizar a população sobre os riscos dos agrotóxicos para a saúde e meio ambiente. Assim, a fim de questionar o modelo hegemônico do agronegócio mundial, demonstrando seus limites socioambientais, a Campanha, com o apoio de sociedades científicas (Fiocruz, Abrasco, Inca) se propôs não apenas à denúncia dos agrotóxicos, mas também à promoção da agroecologia e da produção de alimentos orgânicos, saudáveis, como alternativa ao agronegócio, poluidor e destrutivo. É neste contexto que o presente projeto de extensão se apresenta, pois trata da abertura deste debate e discussão no interior da Universidade em parceria com a comunidade e movimentos sociais organizados para construir um processo de consciência crítica da sociedade em relação às ameaças que os agrotóxicos representam para a saúde e para o meio ambiente na região de Alfenas.

Objetivo Geral
Criar e desenvolver espaços de discussões e intercâmbio entre pesquisadores, agricultores, consumidores, movimentos sociais, organizações e instituições de saúde a fim de construir processos de conscientização e sensibilização da população acerca dos riscos do uso de agrotóxicos para a saúde humana e meio ambiente, apresentando as possibilidades da agroecologia como alternativa ao agronegócio.

Objetivos Específicos
1) Desenvolver espaços de diálogo (palestras, rodas de conversas, fóruns temáticos) que articulem no município, por intermédio da Universidade, produtores agrícolas (agricultores familiares), consumidores, movimentos e associação ambientalistas; 2) Pautar na sociedade a necessidade de mudança do atual modelo agrícola de produção do agronegócio que produz comida envenenada para um modelo de agricultura sustentável que respeite a vida e o meio ambiente; 3) Articular e desenvolver, em parceria com as escolas públicas de Alfenas, atividades de formação e sensibilização dos estudantes sobre os riscos do uso de agrotóxicos para a saúde e para o meio ambiente; 4) Incentivar e desenvolver em parceria com a prefeitura de Alfenas, Associações de produtores rurais, Movimentos Sociais, Associações de produtores e Consumidores a FACA (Feira Agroecológica e Cultural de Alfenas); 5) Promover o fórum como espaço de articulação política dos estudantes, grupos de pesquisa, camponeses, trabalhadores urbanos e rurais, consumidores e movimentos sociais em defesa da agroecologia e por uma produção de alimentos saudáveis na cidade de Alfenas; 6) Desenvolver, em parceria com o NEAPO (Núcleo de Estudo de Agroecologia e Produção Orgânica) do IFSULDEMINAS, Campus Machado, o GEPEA (Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Agroecologia) na Unifal, visando promover estudos, minicursos e oficinas (teóricas e práticas) sobre as perspectivas da produção agroecológica, suas concepções, práticas e possibilidades de desenvolvimento na região de Alfenas, envolvendo produtores e consumidores.

Justificativa
Considerando a amplitude dos agravos à saúde e ao meio ambiente provocados pelo uso de agrotóxicos na agricultura brasileira, faz-se necessário um processo de conscientização e sensibilização da população alfenense e região quanto aos riscos do uso de agrotóxicos e do consumo de alimentos contaminados por esses agentes envenenadores da vida. Basta lembrar que na safra 2010-2011 no Brasil, foram plantados 71 milhões de hectares de lavoura temporária (soja, milho, cana, algodão) e permanente (café, cítricos, frutas, eucaliptos), o que corresponde a cerca de 853 milhões de litros (produtos formulados) de agrotóxicos pulverizados nessas lavouras, principalmente de herbicidas, fungicidas e inseticidas, representando média de uso de 12 litros/hectare e exposição média ambiental/ocupacional/alimentar de 4,5 litros de agrotóxicos por habitante, segundo alguns dados do IBGE. Como se pode notar, a situação é alarmante e se agrava ainda mais quando identificamos a quantidade de agrotóxicos utilizados em alguns dos alimentos presentes constantemente na mesa do brasileiro. Por exemplo, na safra de 2011, segundo dados da ABRASCO (2015), a soja aparece com 40% do volume total utilizado entre herbicidas, inseticidas, fungicidas, acaricidas e outros, em seguida o milho com 15%, a cana e o algodão com 10%, depois os cítricos com 7%, o café (3%), o trigo (3%), o arroz (3%), o feijão (2%), a pastagem (1%), a batata (1%), o tomate (1%), a maçã (0,5%), a banana (0,2%) e as demais culturas consumiram 3,3% do total de 852,8 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nessas lavouras apenas no ano de 2011. Não há dúvidas de que estabelecer um fórum de combate ao uso de agrotóxicos na Unifal-MG, cuja tradição e especialização se fez e se faz na área da saúde, é urgente e necessário. Ou seja, sua relevância se manifesta na necessidade da comunidade se formar e se informar quanto aos riscos que o uso de agrotóxicos pode trazer para a saúde e meio ambiente. Em outras palavras, importa dizer que a presente proposta de extensão justifica-se não apenas pela temática diretamente ligada à área de especialização da Unifal, uma vez que diz respeito à saúde, segurança alimentar da população e ao meio ambiente, mas também pela necessidade da reflexão multidisciplinar, discussão e mobilização das pessoas (produtores e consumidores) em torno dos riscos invisíveis e silenciosos provocados pela contaminação dos alimentos, solos, rios e ar, a partir do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira.

Beneficiário
professores, estudantes, camponeses, consumidores, profissionais da saúde, sindicalistas, extensionistas rurais, trabalhadores rurais, movimentos sociais do campo e da cidade, produtores rurais e sociedade em geral