OFICINAS DO MARACATU

Apresentação
O projeto de extensão RITMOS E ELEMENTOS DO MARACATU DE BAQUE VIRADO, executado pelo grupo Maracatu Muiraquitã da Universidade Federal de Alfenas, fundado em 2004, tem o intuito de trabalhar junto com a comunidade, tanto acadêmica quanto externa, os elementos rítmicos e não-rítmicos (história e origem, religiosidade, patrimônio e relevância cultural) do maracatu de baque virado, um folguedo de origem afro-brasileira característico de Pernambuco. Isso será feito por meio de apresentações regulares, oficinas de percussão e palestras sobre os diferentes fatores que influenciaram esse folguedo desde a sua origem até os dias atuais.

Introdução
O Maracatu de Baque Virado, ou Maracatu Nação, é um folguedo brasileiro, de raízes africanas, e tem o seu primeiro relato na cidade de Olinda, PE, no ano de 1711. Roger Bastide (2001) considera o maracatu como um paralelo pernambucano do afoxé encontrado na Bahia. Tem a sua origem na coroação dos Reis Negros, que eram os responsáveis pelas negociações entre escravos e senhores. O maracatu compõe-se de uma corte tipicamente portuguesa (“camuflando” o modelo da escravaria africana) e os batuqueiros. Assim, “em alusão à eleição do rei e rainha de Congo, realizado desde 1482, o maracatu característico do Estado de Pernambuco, especialmente da cidade de Recife, é o representante original da tradição de Congos e Congadas Coloniais” (OLIVEIRA, 2011, p. 1369). O Maracatu Nação é constituído de dois componentes: a corte e a percussão. A corte é constituída por distintos “personagens” portugueses, tais como rei, rainha, princesas, embaixadores etc. O Maracatu é um cortejo de coroação, no qual as figuras do Rei e da Rainha destacam-se de todo o préstito: dois ou mais lampiões de carbureto, duas negras trazendo as calungas (damas do paço), arqueiros, baliza, porta-estandarte (embaixador), damas-de-frente, personagens da corte em dois cordões de baianas, soberanos (Rei e Rainha) protegidos pela umbela que é conduzida por um escravo, lanceiros, batuqueiros, que vêm fechar o cortejo real (GUERRA-PEIXE, 1980, p. 4). Carlos da Fonte Filho sintetizou a estrutura de um maracatu urbano da seguinte forma: o maracatu de baque virado mantém em seu desfile o cortejo real, muito próximo daquele apresentado pela escravaria africana, no período colonial, para homenagear a coroação do rei do Congo. A exibição do cortejo dá-se na frente, e depois vêm as damas de paço que portam as calungas durante o desfile. Depois, protegidos por um pálio (espécie de guarda-sol), vêm o rei e a rainha, cada um com sua dama de honra, seguindo-se o príncipe e a princesa, o ministro, o embaixador, o duque e a duquesa, o conde e a condessa, o conselheiro, os soldados, os vassalos, as baianas, os lanceiros e a porta-bandeira. Seguem o cortejo o guarda coroa, o corneteiro, a baliza, o secretário, os batuqueiros e os caboclos de pena (FONTE FILHO, 1999, p. 30-32). O elemento percussivo do baque é constituído, originalmente, por cinco instrumentos de percussão, sendo eles: alfaia (tambor), caixa de guerra, caixa de repique, gonguê e ganzá, também conhecido como mineiro. Algumas nações incluíram outros instrumentos, como o agbê e o atabaque. A distribuição e diversidade desses instrumentos varia conforme a Nação. Estudos sobre a experiência do Maracatu Muiraquitã na UNIFAL-MG demonstram que esse projeto de extensão tem contribuindo efetivamente para manter viva essa manifestação cultural de origem popular. Isso se dá a partir das ressignificações produzidas por uma prática cultural voltada para a comunidade e que, ao mesmo tempo, é capaz de constituir novos laços identitários entre os(as) estudantes.

Objetivo Geral
O objetivo geral do projeto é trabalhar elementos rítmicos do Maracatu de Baque Virado com a comunidade interna e externa da Universidade Federal de Alfenas (MG).

Objetivos Específicos
Desenvolver habilidades de coordenação rítmica e musical, assim como harmonia; discutir os elementos não-rítmicos associados ao maracatu de baque virado, como religiosidade, história, origem; trabalhar na confecção de figurinos e elementos plásticos do folguedo; promover oficinas de confecção de instrumentos de percussão; participar em apresentações promovidas pela UNIFAL-MG assim como por outras instituições ou organizações; desenvolver atividades de vivência da cultura do maracatu por meio de palestras e viagens.

Justificativa
O projeto justifica-se primeiramente pelo intuito, que tem se mostrado bem sucedido nas atividades já desenvolvidas, de manter viva essa importante manifestação da cultura popular afro-brasileira. Há, no país, uma grande dificuldade em relação a esse objetivo tendo em vista o imenso preconceito ainda enfrentado e à resistência encontrada na aceitação de temas ainda tidos como polêmicos, como candomblé e religiões de matriz africana. Tais temas, que podem ser considerados atuais, ainda são pouco discutidos e, por isso, pouco conhecidos, em geral, pela população brasileira. Dessa forma, o intuito principal é levar essa discussão, de maneira dialógica, ao ambiente escolar, como forma de compreender a importância dessas manifestações culturais na constituição identitária do povo brasileiro. A relevância deste trabalho justifica-se, ainda, sob três aspectos. Primeiro por tratar-se de um projeto que tem como base a vitalização de uma manifestação de origem afro-brasileira dentro do âmbito acadêmico e da cidade de Alfenas, estimulando a reflexão sobre o respeito à alteridade étnica. Segundo, pela possibilidade de se ampliar e promover a integração entre a comunidade universitária e a comunidade local. A terceira justificativa é oferecer às/aos estudantes e à comunidade local uma atividade de lazer e de cultura, que desenvolve habilidades rítmicas e o espírito e sintonia coletivos. Essa atividade se mostra, portanto, como uma espécie de terapia, em que a rotina dos trabalhos e dos estudos é quebrada no rufar dos instrumentos e nos cantos. Para a comunidade de baixa renda, além da mesma função músico-terapêutica, é uma oportunidade de construção da autoestima social e de desenvolvimento de identidades individuais e coletivas por meio da vivência compartilhada da experiência cultural promovida pelo maracatu.

Beneficiário
Todos os membros da comunidade acadêmica e alfenense.