EXPRESSÕES DA INFÂNCIA: BRINCANDO COM A LINGUAGEM

Apresentação
O projeto “Expressões da infância: brincando com a linguagem” propõe práticas interativas com foco na leitura literária, na exploração sonora e nas brincadeiras de tradição oral. Acreditamos que a criança seja um agente na apropriação que faz da cultura em que está inserida e que, quanto mais lúdicos forem os seus contextos educativos, mais estarão potencializadas as possibilidades de mobilização e ressignificação dos aspectos culturais que caracterizam o seu cotidiano. As linguagens - literária, musical, visual, corporal - ensejam diversos modos de brincar. São brincadeiras com sonoridades, com musicalidades, com jogos de palavras, com o imaginário infantil, com danças de rodas, em que o humor se faz presente e dá lugar para que as infâncias se expressem demonstrando suas singularidades e sua diversidade.

Introdução
“Expressões da infância: brincando com a linguagem” propõe atuar em escolas do município e em eventos culturais com a finalidade de promover a interação lúdica a partir de objetos artístico-culturais como textos literários e repertório musical da/e para a infância, bem como propor atividades de exploração sonora e brincadeiras de tradição oral. Nosso repertório de textos orais e escritos e nossas propostas lúdicas voltam-se para o público infantil, em especial para crianças dos primeiros anos de vida até os 10 anos de idade. Ao elegermos a linguagem como um elemento central deste projeto, privilegiamos suas manifestações de cunho artístico, do que dão exemplo a linguagem literária e musical. Soma-se a isso a nossa escolha de ter no lúdico o subsídio para as nossas propostas de interação, que buscam alinhar-se às concepções de infância que defendem a criança como produtora de cultura (KRAMER; LEITE, 1998). Assumimos a proposta da ludicidade como modus operandi de momentos nos quais as crianças se expressam, intelectual e emocionalmente, e que sejam instaurados a partir de algumas condições como “adesão voluntária”, “liberdade de ação”, “flexibilidade” (BROUGÈRE, 2017), bem como “ausência de metas a serem cumpridas”, consolidando-se em um espaço-tempo de intensa interação. Neste sentido, defendemos que a leitura, a música, as brincadeiras de tradição oral constituem-se enquanto experiências e não enquanto objetos de conhecimento ou de saber, mas enquanto experiência de leitura, experiência de música, experiência de brincar. Referimo-nos à experiência caracterizada pela abertura ao novo, ou seja, é o experienciar vivências naquilo que têm de momentâneo, de passageiro. A experiência de escutar o texto literário ou a música, a experiência de brincar em roda não funcionam em prol de uma meta, de um objetivo, porque o “sujeito da experiência é sobretudo um espaço onde têm lugar os acontecimentos”, “é um lugar de passagem” (LARROSA BONDÍA, 2002, p. 19). Entendemos que a criança seja, por natureza, esse sujeito de acontecimento, que a todo momento se expõe ao que está acontecendo e que, nas e com as suas experiências, forma-se e transforma-se. Na primeira edição do projeto, verificamos que o repertório e as práticas de interação que propomos alcançaram grande interesse por parte das crianças. Fizemos leituras literárias, brincadeiras cantadas e apresentações musicais a crianças de 2 a 7 anos de idade em duas escolas do município e houve grande participação do público infantil e interesse por parte dos profissionais da Educação envolvidos.

Objetivo Geral
Experimentar propostas lúdicas com a linguagem, por meio de atividades de leitura literária, exploração sonoro-musical e brincadeiras de tradição oral.

Objetivos Específicos
Fortalecer o grupo de estudos e formação no qual, desde a primeira edição do projeto, realizamos as leituras teórico-metodológicas e as oficinas de preparação das atividades com leituras, sonoridades e tradição oral da infância; Ampliar o repertório de textos orais e escritos aos quais vem se dedicando o projeto nas suas atividades de linguagem; Propor novas experiências de leitura, de exploração sonora, de vivência musical e de brincar para as crianças que são público-alvo do projeto; Promover situações de socialização das experiências do projeto, por meio de rodas de conversa e participação em eventos acadêmicos.

Justificativa
O presente projeto justifica-se, primeiro, por contribuir para a constituição de repertório voltado à literatura infantil, a vivências musicais, exploração sonora e brincadeiras cantadas. Avalia-se que esse conjunto de textos traz uma efetiva colaboração para as relações entre educadores e crianças porque favorece a criatividade e a formação estética. Concordamos que: [...] para a construção do educador infantil contemporâneo sensível devemos desenvolver o seu/nosso ser educador-artista. Desenvolver nossa atitude sensível e criativa diante dos desafios educacionais, nossa ludicidade, sensibilidade e expressão com o corpo, com as cores, formas, palavras, em nossa comunicação poética diante do mundo e de nós mesmos (GUEDES, VIEIRA, QUINTANILHA, 2014) Nesse ponto, considera-se que a constituição desse repertório e das atuações lúdicas que o contemplam importa tanto para a formação de acadêmicos pertencentes aos cursos da UNIFAL, em especial os de licenciatura, mas também outros que tenham a infância como um objeto de estudo, bem como aos educadores envolvidos com o projeto. Tanto acadêmicos quanto educadores, já atuantes nas escolas do município e arredores, poderão considerar, em seu processo formativo e/ou profissional, as referências de material de qualidade que são selecionadas e analisadas no interior deste projeto, bem como as intervenções que se desdobram a partir de tais referências. Avaliamos, ainda, que as ações propostas possam contribuir significativamente para a formação das crianças, pois as atividades que direcionamos a esse público buscam promover momentos de intensa interação e criatividade por meio do brincar. O ato de brincar é parte importante do processo de desenvolvimento humano da criança. Brincando, ela constrói relações de significados com o meio, compreendendo o mundo que a cerca. Todo processo de desenvolvimento criativo do homem passa, em alguma medida, pela capacidade de reelaborar significados construídos de maneira lúdica, por meio de jogos, na interação com o meio e com o outro. Na infância, o jogo faz parte de um processo de construção do sujeito, da sua imaginação criativa. Vigotski (2014, p.8) ressalta que “a imaginação criativa é parte de um processo para construir novas realidades”. Entende-se que o brincar não reproduz a realidade tal como ela é, mas ajuda a criança a formar o seu pensamento criativo e ajuda a entender a realidade e a lidar com ela: Uma das questões mais importantes da psicologia e pedagogia infantil é a capacidade de criação nas crianças, do estímulo dessa capacidade e a sua importância para o desenvolvimento geral e a maturação da criança. Na primeira infância encontramos processos criativos que se manifestam sobretudo nas brincadeiras. (VIGOTSKI, 2014, p. 6) Destacamos, pois, que ao levarmos um acervo cultural – oral e escrito – por meio de interações lúdicas, buscamos contribuir para o campo de discussão da infância no que se refere à concepção de criança produtora de cultura, em especial quanto aos textos literários infantis (KRAMER, LEITE, 1998; WAJSKOP, 2017; SAMORI, 2011) . Ou seja, as atividades que propomos tomam como elemento-chave a participação ativa das crianças nos processos de interação, favorecendo sua livre expressão. Tal acervo e essas atividades podem favorecer a formação de todos os envolvidos, ao possibilitar modos de atuação com as crianças que não se caracterizem por processos disciplinares e que não fiquem restritos ao eixo da técnica e dos conhecimentos enciclopédicos.

Beneficiário
Crianças e professores da Educação Básica, bem como licenciandos de diferentes cursos da UNIFAL-MG.