INTERVALO: ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM

Apresentação
A proposta do curso "Intervalo: estratégias de aprendizagem" tem como objetivo oferecer aos alunos momentos coletivos para compartilharem experiências e desafios, propiciando a identificação entre os pares, e aprendizagens voltadas para o desenvolvimento de habilidades autorregulatórias, entendendo a autorregulação como um “processo ativo no qual os sujeitos estabelecem os objetivos que norteiam a sua aprendizagem tentando monitorar, regular e controlar as suas cognições, motivações e comportamentos com o intuito de alcançá-los” (ROSÁRIO; 2004, p 37). Considerando a expansão das instituições federais de ensino superior e as políticas de permanência e assistência estudantil, previstas no Decreto 7234/2010, o curso "Intervalo: estratégias de aprendizagens" apresenta-se como uma ação com foco em promover a integração e permanência dos estudantes por meio de um ciclo de oficinas (7 encontros) com cada encontro organizado em torno de um conjunto de estratégias de aprendizagem

Introdução
As mudanças no ensino superior que impactaram, especialmente a partir de 2003, o aumento no numero de vagas nas instituições federais de ensino (IFES) e o acesso de grupos não tradicionais com a política de reserva de vagas, apresenta às instituições novos desafios associados ao atendimento desse novo público que, finalmente, tem reconhecido seu direito ao ensino superior público, gratuito e de qualidade. Essa nova realidade exige que a instituição, visando a garantir as condições de aprendizagem para todos, proponha e implemente ações que favoreçam o sucesso acadêmico dos seus alunos e alunas, compreendendo permanência para além da oferta, necessário, de auxílios financeiros. Para Dias Sobrinho, [...] a ‘democratização’ da educação superior não se limita à ampliação de oportunidades de acesso e criação de mais vagas. Além da expansão das matrículas e da inclusão social dos jovens tradicionalmente desassistidos, em razão de suas condições econômicas, preconceitos e outros fatores, é imprescindível que lhes sejam assegurados também os meios de permanência sustentável, isto é, as condições adequadas para realizarem com boa qualidade os seus estudos (DIAS SOBRINHO, 2010, p. 1226). Para Almeida e Soares (2003), fatores de ordem social, econômica, vocacional e acadêmica podem interferir no percurso acadêmico do aluno universitário. Estes fatores podem estar combinados ou não. No entanto, o domínio acadêmico é o fator que mais exige do universitário, pois requer “adaptações constantes aos novos ritmos e estratégias de aprendizagem, ao novo estatuto de aluno e aos novos sistemas de ensino e avaliação” (ALMEIDA; SOARES, 2003, p. 19). Tendo em vista os desafios enfrentados pelos alunos e alunas ao ingressarem no ensino superior, especialmente daqueles grupos historicamente negligenciados, o curso proposto apresenta, a seguir, o objetivo geral.

Objetivo Geral
Por meio de um ciclo de oficinas com foco em um conjunto de estratégias de aprendizagem, propiciar a identificação entre os pares e aprendizagens voltadas para o desenvolvimento da autonomia em relação à própria aprendizagem.

Objetivos Específicos
-Promover a integração à instituição; - Apresentar estratégias de aprendizagem com foco no ensino superior; - Discutir aspectos relativos às vivências do ensino superior; - Promover a identificação entre pares.

Justificativa
Para Tinto (2012) a configuração institucional tem mais importância para a efetiva integração à vida acadêmica no Ensino Superior do que os atributos individuais que os alunos e alunas apresentam ao ingressar na universidade. Para esse autor, os alunos e alunas que não se integram à vida acadêmica e social têm chances de evadir. Coulon (2008) apresenta o conceito de afiliação. Para o autor o aluno do Ensino Superior necessita de habilidades diferentes do aluno da Educação Básica, sendo necessário que se ultrapasse o estatuto de aluno para o de estudante, que acontece em três fases: estranhamento, aprendizagem e afiliação. Para o autor, há dois tipos de afiliação, a intelectual e a institucional. A primeira refere-se ao processo de internalização de regras institucionais e a capacidade de construção autônoma do conhecimento. A segunda, por sua vez, é o processo no qual o aluno já conheceu e incorporou as regras da instituição na qual está inserido, como prazos para requerimentos, setores da instituição, se relaciona bem com os funcionários, enfim se reconhece como parte daquele ambiente. Para Coulon (2008) o sucesso acadêmico requer tanto a afiliação intelectual como a institucional. Afiliar-se ao mundo universitário seria, então, do ponto de vista intelectual, saber identificar o trabalho não solicitado explicitamente, saber reconhecê-lo e saber quando finalizá-lo. Para ter sucesso é necessário compreender os códigos do trabalho intelectual, cristalizados num conjunto de regras quase sempre informais e implícitas, ser capaz de ver a ‘praticalidade’ do trabalho solicitado e saber transformá-lo em um problema prático. Os estudantes exprimem isso claramente: é preciso compreender a questão colocada para poder respondê-la. Aí reside a articulação entre sucesso acadêmico, transformação das normas em problemas práticos e afiliação (ou tornar-se membro) (COULON, 2008, p 259). As pesquisas citadas indicam que uma parcela significativa dos alunos e alunas evadidos sai da universidade por questões de aprendizagem e adaptação à rotina universitária. Esses alunos e alunas não conseguem se integrar ao ambiente institucional ou organizar sua rotina de forma a desenvolverem uma postura autônoma de estudos, que os torne capazes de identificar suas fragilidades e aonde procurar ajuda. No entanto, as políticas de permanência dos estudantes, em sua maioria, estão relacionadas às ações de distribuição de auxílios financeiros para custeio de alimentação, moradia e transporte, entre outros gastos. Sem dúvida essas políticas são essenciais, especialmente para propiciar que alunos e alunas com rendimento familiar financeiro baixo tenham condições de concluir o Ensino Superior, mas não contemplam todos os aspectos acadêmicos e institucionais que têm forte impacto na retenção e evasão. Além das conclusões apresentadas na literatura especializada, o Decreto nº 7.234/2010 determina que os alunos e alunas das instituições da educação superior pública federal possam receber assistência em diferentes áreas, dentre elas, o apoio pedagógico. Baseados nos fatos expostos acima e visando a ampliar o atendimento aos alunos e alunas da UNIFAL-MG com o objetivo de facilitar o processo de afiliação e integração universitária, oferecer orientação educacional e, dessa forma, diminuir índices de retenção e evasão, o Departamento de Apoio Pedagógico (DAP) da Prograd elaborou esse projeto de apoio pedagógico aos discentes dos cursos de graduação desta Instituição.

Beneficiário
Alunos de graduação da UNIFAL-MG, com reserva de 10% das vagas para alunos de graduação de outras instituições de ensino superior da cidade. Cada encontro poderá ter até 40 participantes. E, para melhor aproveitamento, os participantes devem participar de todo o ciclo (7 encontros).