MÃES E CRIANÇAS NA UNIVERSIDADE

Apresentação
Este projeto objetiva trabalhar na construção um espaço de escuta e discussão da realidade de mães na Universidade, bem como, identificar os percalços à permanência e possíveis formas de superá-los. Os beneficiários diretos serão as estudantes mães da cidade de Varginha, tanto da educação superior como do ensino médio. A metodologia de trabalho principal será a roda de conversa, que é um instrumento que busca a partilha de experiências e a construção de reflexões e estratégia de superação. Esta ação extensionsita de justifica em seu aspecto social uma vez que as estudantes mães encontram-se em condições de desigualdade de oportunidades. Como também acadêmicas, tendo em vista que estas estudantes passam por reprovações por faltas, dificuldades de participarem de atividades realizadas em horários diferentes das aulas como extensão e pesquisa. O projeto pode ajudar na afiliação acadêmica, uma vez que ela se sinta pertencente a um grupo de pessoas que passa por situações semelhantes.

Introdução
A tentativa de democratização da educação superior que ocorreu na década de 2000 levanta reflexões como relação aos resultados efetivos da ampliação do acesso e a geração de condições de permanência dos estudantes na universidade Para atingir tal finalidade, em 2010 criou-se a assistência estudantil nas universidades. Esta é uma política pública, que se desenvolve no âmbito da política social de educação. Democratizar as condições de permanência na educação superior é um dos objetivos do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), bem como combater os efeitos das desigualdades sociais e regionais na permanência e conclusão dos cursos, diminuir as taxas de retenção e evasão e contribuir para a inclusão social pela educação. Estudantes que fazem parte de grupos sociais que enfrentam condições de desigualdade históricas de ingresso e conclusão de cursos, como negros, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência, vêm recebendo uma atenção para suas dificuldades. Mas, o grupo formado por estudantes mães encontra-se, de modo geral, pouco contemplado e além de enfrentar grandes dificuldades de ingresso, permanência e conclusão, também sobre com ações discriminatórias e excludentes dentro das IES. A preocupação com a ampliação do acesso à educação superior para as mulheres vem sendo instigado internacionalmente. De acordo com Lima (2013), ainda no final da década de 1990, o fortalecimento da participação e promoção do acesso das mulheres na educação superior foi um dos destaques da Conferência Mundial sobre o Ensino Superior (CMES), realizada em outubro de 1998, na cidade de Paris. A discussão central desse evento visava propor a nova missão e função da universidade no século XXI que seria educar, formar e realizar pesquisas, com autonomia, ética, responsabilidade e prospectiva. No momento atual as mulheres são maioria entre os estudantes das universidades públicas federais, assim como na composição da população nacional. De acordo com o Fonaprace (2016), em 2014 as mulheres representavam 52,37% dos estudantes das IFES brasileiras. Santos (2014) informa que desde o século XX elas já representavam a maioria em todos os níveis do sistema educacional. Porém, ao mesmo tempo em que os indicadores apontavam para o aumento da participação feminina na educação superior, não se percebe a ampliação, na mesma proporção, de estruturas que deem suporte à sua inserção na universidade. Quando se trata da inserção de mulheres, que além de estudantes são mães, a situação ainda é mais agravante. As dificuldades enfrentadas pelas mães que querem estudar envolvem também a segurança, o cuidado e atenção dada aos filhos. Dessa forma, o ambiente universitário tem se mostrado indiferente e muitas vezes hostil às necessidades das mulheres mães, uma vez que não dispõem de estruturas mínimas para apoiar a presença dessas estudantes na universidade.

Objetivo Geral
O objetivo é promover um espaço de escuta e discussão da realidade de mães na Universidade, bem como, identificar os percalços à permanência e possíveis formas de superá-los.

Objetivos Específicos
a) Realizar, periodicamente, rodas de conversas sobre a maternidade, os estudos e o mundo do trabalho, com mães estudantes da UNIFAL , de outras Instituições de Educação Superior da cidade de Varginha e também com estudantes do ensino médio b) Promover um ciclo de debate sobre a mulher, mãe, na ciência; c) Desenvolver, coletivamente, um espaço virtual para trocas de informações sobre maternidade, educação e mundo do trabalho; d) Construir uma rede de apoio para mulheres que vivem a maternidade ou que desejam viver esta experiência, principalmente para aquelas que estão inseridas no meio acadêmico.

Justificativa
Esta proposta de ação extensionista possui justificativas em diferentes âmbitos. Primeiramente, ressalta-se seu aspecto social porque, de modo geral, as estudantes mães encontram-se em condições de desigualdade de oportunidades devido as responsabilidades atribuídas a elas com relação à criação dos filhos. Nestas condições o tempo disponível para outras atividades fica menor e precisam lidar com o cansaço físico e mental que envolve os cuidados com uma criança, as atividades domésticas e também do mundo do trabalho. Esta sobrecarga de atividades as quais as mães se deparam ao longo das fases de vida dos filhos é reflexo de uma cultura que as considera as principais responsáveis pelas atividades de cuidado, educação, carinho e afeto com a criança. Observa-se assim, a divisão sexual do trabalho, o que interefere nos cargos e funções desempenhados pelas mulheres e em seus rendimentos, uma vez que tarefas e ocupações que remetem a cuidado e serviços são menos valorizados socialmente. Acredita-se que o projeto possa ser um espaço de reflexão sobre este contexto e por meio da troca de experiências e da leitura de textos sobre o tema, será possível ampliar a percepção das participantes de suas vidas e da sociedade em que estão inseridas. No aspecto acadêmico, sabe-se que ao se depararem com a maternidade, a mulher é levada a postergar a continuidade dos estudos ou a escolher formações escolares que ela considera serem mais acessíveis as suas condições financeiras e de dedicação ao estudo. Entre as estudantes com filhos, frequentemente, passam por reprovações por faltas, dificuldades de participarem de atividades realizadas em horários diferentes das aulas como extensão e pesquisa, além de se sentirem solitárias e descriminadas com relação aos eventos sociais. Neste sentido, pode-se contribuir com a afiliação acadêmica da estudante uma vez que ela se sinta pertencente a um grupo de pessoas que passa por situações semelhantes e encontre apoio para superar suas dificuldades pessoais e construa alternativas coletivamente para as dificuldades na intuição e no curso

Beneficiário
Os beneficiários diretos são as estudantes mães da cidade de Varginha, tanto da educação superior como do ensino médio. De modo secundário espera-se envolver no debate homens estudantes que possuem filhos, estudantes sem filhos, professores e técnicos educacionais e administrativos.