VIVER MAIS LEVE

Apresentação
É a renovação do projeto "Levemente". O título foi alterado por termos encontrado uma marca registrada com o mesmo nome. Este projeto visa auxiliar o desenvolvimento pessoal de universitários em vulnerabilidade mental e/ou emocional. A equipe de trabalho será formada por discentes da Odontologia, Enfermagem e Fisioterapia que serão capacitados por profissional habilitada em saúde mental. Serão realizadas Mentorias Online e Terapias em Grupo, bem como exercícios de relaxamento e desligamento do estresse diário, além de manter as redes sociais como um ambiente virtual de convivência com os colaboradores e os beneficiários durante toda a semana. Em casos mais graves de ansiedade e depressão, os pacientes serão encaminhados para a psicóloga da PRACE. Concomitantemente, está planejada a execução duas pesquisas: uma para mensurar ansiedade, depressão e qualidade de vida antes e depois das ações e outra para relacionar os níveis de ansiedade e depressão com disfunções temporomandibulares.

Introdução
Saúde mental define-se como um campo de conhecimento baseado em um conjunto de práticas conduzidas por conceitos, ideias, demandas diversas e ideologias1. Sabe-se que os níveis de saúde mental em estudantes do ensino superior são menores em relação aos de jovens de mesma faixa etária que não estejam estudando2,3. Estes níveis influenciam diretamente na transição bem-sucedida ao ambiente universitário, desempenho e sucesso acadêmico3,4. A ideação suicida entre estudantes universitários pode ter uma etiologia específica devido à presença de pressões sociais e acadêmicas que distinguem essa população5. A literatura ainda é contraditória e pouco esclarecedora frente a diversos aspectos do estudo da saúde mental avaliada frente aos graduandos, principalmente quanto às variáveis e influências negativas e positivas relacionadas. Pode-se estabelecer diversos aspectos determinantes no processo, como consumo de álcool, tabagismo e uso de drogas de abuso, nível socioeconômico, gênero, hábitos alimentares, prática regular de exercícios, qualidade de sono, e tantos outros6. Contudo, independentemente da exata correlação entre os fatores determinantes de saúde geral e mental do indivíduo, é fato que a geração universitária atual apresenta problemas relacionados diretamente à saúde mental. O jovem adulto por si só já se depara com um grande desafio na construção final da sua personalidade e com a entrada no ensino superior que essa construção atinge o ponto crucial. Quando ingressa no ensino superior, o jovem adulto tem que ser capaz de organizar a sua vida sem ajuda familiar e longe do seu antro de amparo. Ir para um local estranho, sozinho, sem conhecer ninguém, cria uma necessidade de independência e de auto-gestão simultâneos à tensão frente ao desconhecido7. De acordo com a Organização Mundial da Saúde8, a depressão é um transtorno mental comum que se apresenta com humor deprimido, perda de interesse ou prazer, diminuição de energia, sentimento de culpa ou baixa autoestima, perturbação do sono ou apetite e dificuldade de concentração. Além disso, a depressão muitas vezes vem atrelada a sintomas de ansiedade. Estes problemas podem tornar-se crônicos ou recorrentes e levar a substanciais deficiências na capacidade de um indivíduo de cuidar das suas responsabilidades diárias. Os relatos de maior incidência são sobre a perda da capacidade de experimentar prazer nas atividades em geral e a redução do interesse pelo ambiente. Grande parte desses sinais e sintomas, isolados ou conjuntamente, parecem afetar o universitário em algum momento de sua jornada acadêmica, e em alguns casos podem significar algo mais fundo, de cunho patológico e que requer atenção diferenciada e acompanhamento especializado9. Além de tudo, a depressão e a ansiedade, bem como outros distúrbios não psicóticos, influenciam significativamente no baixo desempenho acadêmico, no aumento da probabilidade de evasão escolar e podem gerar morbidades até mesmo incapacitantes ao indivíduo3.

Objetivo Geral
Fornecer aos participantes melhores índices de saúde mental e condições para que entendam a existência de alternativas frente ao desgaste acadêmico, além de desenvolver pessoal e profissionalmente a equipe de trabalho através da interação de vivências pessoais dos beneficiários e construir uma comunidade de jovens amparados psicológica e emocionalmente na universidade.

Objetivos Específicos
- Auxiliar o participante a desenvolver capacidade reflexiva sobre si e seu estado emocional; - Promover melhor qualidade de vida, trazendo melhores padrões de saúde mental àqueles que participarem das atividades promovidas pelo projeto; - Proporcionar atividades que colaborem para que o indivíduo planeje melhor seu tempo e distribua-o de forma racional em relação a todas as atividades rotineiras; - Incentivar os participantes a contribuírem com suas prioridades e metas, elucidando o planejamento de suas atividades a curto e longo prazo; - Estimular os participantes a desenvolverem pequenas atividades ao longo do dia para diminuição de sobrecarga emocional e dos níveis de estresse/ansiedade por meio de exercícios de respiração, de desligamento e relaxamento; - Mostrar aos participantes a pluralidade de sua existência, reforçando sempre que nada está restrito a pequenas opções e que busquem sempre compreender o momento pelo qual estão passando e busquem ajuda especializada sempre que necessário; - Possibilitar momentos de conversa, diálogo e aprendizado pertinentes à questão da saúde mental e geral; - Promover conhecimento acerca da saúde mental dentro do ambiente universitário/acadêmico, favorecendo discussões e estimulando o desenvolvimento de mais projetos na área; - Desenvolver no discente responsável pela execução do projeto capacidade de liderança, autoconfiança, altruísmo e garantir capacitação continuada frente ao tema; - Capacitar o discente responsável pela execução do projeto a lidar com plataformas digitais e online para realização da Mentoria juntamente com o ministrante de cada aula, bem como o espírito criativo e dinâmico durante execução das atividades presenciais por meio das dinâmicas; - Sensibilizar a comunidade acadêmica sobre o tema da saúde mental, como promovê-la e discutir métodos de favorecimento desta dentro do ambiente universitário; - Favorecer a construção de um saber multiprofissional e multidisciplinar através de relações acadêmicas entre discentes, docentes, comunidade e demais envolvidos em qualquer etapa de realização do projeto.

Justificativa
A transição entre a vida escolar para a universitária é, para a grande parte dos jovens, um momento de adaptação complexo. Trata-se de um período de conquistas e exigências em conflito, que, em meio à busca por sua independência, o indivíduo pode enfrentar evidenciação de problemas inerentes a esse processo, como problemas identitários, financeiros e acadêmicos, que geram uma elevação de níveis de estresse e ansiedade. Por mais que essa fase de adaptação apresente seu nível mais crítico no primeiro ano, a grande exigência acadêmica acaba por colocar o graduando em situações de constante desgaste, esgotamento emocional e altos índices de estresse ao longo de toda jornada acadêmica. Com isso, estabelece-se que o índice de depressão e ansiedade nos alunos universitários é maior que o encontrado na população em geral, trazendo o indício que o ambiente acadêmico é um forte fator de risco para o desenvolvimento da depressão (COSTA & MOREIRA, 2016). Durante o período acadêmico, essas dificuldades podem afetar o desempenho cognitivo do aluno e suas relações interpessoais, mas em um âmbito mais amplo, podem afetar o futuro de sua carreira profissional. A universidade deve repensar iniciativas de apoio emocional aos alunos como forma de amenizar estes problemas durante sua vida acadêmica. Como a alta carga horária de dedicação e a grande quantidade de tarefas a serem realizadas é uma das causas mais atribuídas à universidade representar esse grande fator de risco ao discente, parte-se do princípio que diferentes abordagens podem favorecer o processo de adesão a terapias alternativas. Como no caso do Projeto Viver mais leve, com abordagens online expositivas e encontros presenciais mensais, o acadêmico sente-se mais confortável frente a mais uma atividade a ser realizada. Torna-se então algo facilmente adaptável a sua rotina e acaba por ser agradável justamente por não ser algo convencional, porém com grande potencial de funcionalidade. De forma a abordar diferentes aspectos de rotina, metas, prioridades, gerenciamento de tempo, capacidade de enfrentamento, centramento, entre outros, esse projeto se mostra como uma grande ferramenta para o discente. Busca-se ao longo de toda execução que o participante possa partir do autoconhecimento para o planejamento eficiente de seu dia-a-dia, de sua vida e aprenda cada vez mais a valorizar e buscar o contato interpessoal, a compreensão intrapessoal, superar o processo de homesickness e garantir sua estadia no ensino superior até a conclusão, sem a aquisição de consequências patológicas e o acúmulo de desgastes emocionais/psíquicos constantes ao longo de toda graduação (THURBER et al, 2007). As instituições de ensino também devem ser responsáveis por informar e orientar os alunos quanto aos benefícios da ajuda psicológica profissional e criar um diálogo que possa fazer com que os alunos se abram mais ao tratamento de problemas emocionais, já que a informação é um fator chave na busca e sucesso do tratamento e na prevenção à evasão escolar (THOMAS et al., 2014). Ademais, é preciso inferir que o alto número de discentes necessitados por assistência terapêutica é incompatível com o número de profissionais atuantes na Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários, sendo de extrema importância uma extensão que atue para a melhoria da qualidade de vida de alunos e alivie a demanda de atendimentos da psicóloga da PRACE.

Beneficiário
Discentes de quaisquer cursos de graduação matriculados na Universidade Federal de Alfenas que apresentem alterações emocionais e mentais, como ansiedade, depressão, transtorno obsessivo compulsivo, diagnosticados ou não. O projeto contará com a participação de 50 beneficiários.