ATENDIMENTO NUTRICIONAL AMBULATORIAL

Apresentação
Considerando-se a elevação das mortes por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) (BRASIL, 2008), tem crescido consideravelmente a demanda por orientação nutricional, uma vez que já é reconhecida a influência da alimentação como fator de risco modificável para DCNT (RODRIGUES; SOARES; BOOG, 2005). O nutricionista auxilia os indivíduos na descoberta de princípios, padrões e valores que melhor se adaptem às suas necessidades, promovendo qualidade de vida individual e coletiva, não impondo normas, mas atuando como um intermediador na busca das melhores condutas e escolhas de acordo com suas necessidades (LINDEN, 2005). O Projeto está vinculado ao Programa de Qualidade de Vida da UNIFAL-MG e prevê a realização de atendimento nutricional ambulatorial, além de apoio às atividades do Grupo de Cessação de Tabagismo do Centro Integrado de Assistência ao Servidor (CIAS) e ações em eventos do programa nos três campi. As ações serão abertas à participação de toda a comunidade universitária.

Introdução
Os processos de transição demográfica e epidemiológica, juntamente com o processo de transição nutricional, nos últimos tempos, vêm alterando os paradigmas de ocorrência de doenças, cooperando com o crescimento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Além disso, estudos têm comprovado que taxas de mortalidade e morbidade provocadas por DCNT apresentam relação com a obesidade, principalmente, obesidade abdominal, sendo considerada precursora de doenças cardiovasculares (BARBOSA, 2009; DINIZ, 2015; QUEIROZ, 2010). Diversos métodos podem identificar a obesidade na população, como, por exemplo, a bioimpedância elétrica, porém esse método é considerado menos acessível para o setor público de saúde, devido ao custo mais elevado e por ser um procedimento mais complexo. Sendo assim, recomenda-se a utilização de indicadores antropométricos. Estes, por sua vez, são métodos mais simples, de baixo custo e de fácil obtenção (BARBOSA, 2009). O índice de massa corporal (IMC) é um dos indicadores antropométricos mais aplicados na avaliação do estado nutricional. Quando esse se encontra acima de 25 kg/m², caracteriza o indivíduo em sobrepeso, assim, associando-o a um maior risco de desenvolver DCNT. Por outro lado, os indivíduos diferem entre si quanto à composição corporal e à constituição física (BARBOSA, 2009; OLIVEIRA, 2009). Outra variável utilizada para avaliar a composição corpórea é a mensuração do perímetro da cintura (PC), o qual apresenta uma forte associação com o nível de tecido adiposo abdominal. A relação dos perímetros da cintura e do quadril (RCQ) é um indicador relacionado à distribuição de gordura corporal e, com isso aos problemas de saúde que esse determinante pode ocasionar aos indivíduos (TURUCHIMA, 2015; PITANGA, 2007). A avaliação do consumo alimentar na prática clínica é realizada com a finalidade de fornecer subsídios para o desenvolvimento e a implantação de planos nutricionais. A demanda por atendimento nutricional tem crescido significativamente, em decorrência do aumento da prevalência de DCNT e do reconhecimento de que a adoção de uma dieta saudável representa um dos principais determinantes dessas doenças. A intervenção dietoterápica é comprovadamente reconhecida como tratamento isolado ou coadjuvante de doenças como obesidade, hipertensão, diabetes, osteoporose e câncer (FISBERG; MARCHIONI; COLUCCI, 2009). Indivíduos com uma alimentação caracterizada por elevado consumo de colesterol, lipídios e ácidos graxos saturados associada à baixo consumo de alimentos ricos em fibras, apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de DCNT. Por sua vez, a adoção de hábitos alimentares saudáveis é considerada um suporte nutricional importante como forma de prevenir DCNT e melhorar a qualidade de vida (PIATI, 2009; TEIXEIRA, 2013).

Objetivo Geral
Desenvolver ações educativas na área de alimentação, visando a promoção da saúde e qualidade de vida, bem como prevenção e controle dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) modificáveis pela alimentação.

Objetivos Específicos
- Estimular a participação ativa dos indivíduos na busca conjunta por melhores condutas de acordo com suas necessidades individuais de saúde, buscando a adoção de práticas alimentares saudáveis; - Estimular a prática de atividade física e a diminuição do sedentarismo; - Orientar a escolha de alimentos evitando aqueles considerados fatores de risco para desenvolvimento de DCNT; - Acompanhar e melhorar o estado nutricional individual apresentado no início do projeto; - Estimular os participantes a agirem como multiplicadores dos conhecimentos adquiridos; - Promover ações nos eventos do Programa de Qualidade de Vida da UNIFAL-MG; - Divulgar informações sobre escolhas alimentares saudáveis; - Desenvolver ações no Grupo de Cessação de Tabagismo; - Promover uma experiência profissional prática orientada aos discentes integrantes do projeto.

Justificativa
As DCNT constituem o problema de saúde de maior amplitude no Brasil e são responsáveis por 63% das causas de mortes no mundo e 74% no Brasil (WHO, 2015). Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE, 2014), 39,3% da população adulta brasileira apresentava pelo menos uma DCNT em 2013. Essas doenças aumentam o número de mortes prematuras e geram um elevado grau de morbidade com perda de qualidade de vida e aumento do grau de limitação das pessoas, elevando consideravelmente os gastos com saúde no país. Diante deste quadro nacional de agravos à saúde e comprometimento da qualidade de vida das pessoas, a Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), por meio da Portaria Normativa nº 3, de 25 de março de 2013, instituiu as diretrizes gerais de promoção da saúde do servidor público federal, as quais integram as ações da Política de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público Federal (PASS), parte do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público Federal (SIASS). A Portaria supracitada em seu Art. 3º declara que a concepção destas diretrizes “prioriza ações voltadas à educação em saúde, à prevenção dos riscos, agravos e danos à saúde do servidor, ao estímulo dos fatores de proteção da saúde e ao controle de determinadas doenças.” (BRASIL, 2013). A própria portaria prioriza em seu Art. 11 temas de interesse como alimentação saudável, cuidado integral em saúde e gestão integrada de doenças crônicas e fatores de risco, dentre outros. Com preocupação semelhante, em 2010, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) já havia realizado uma pesquisa para traçar o perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação presencial das Universidades Federais Brasileiras. A pesquisa abordou algumas questões sobre Qualidade de Vida e os resultados apontaram que 15% dos estudantes dependem dos programas de alimentação do restaurante universitário; um terço dos estudantes não pratica atividade física; 66% fazem uso de álcool, sendo que 14% o fazem frequentemente; o uso do tabaco também é praticado por 14% dos estudantes (PERFIL, 2011). Diante desta realidade o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), por meio do Decreto nº 7.234/2010, em seu Art. 3º determinou que “O PNAES deverá ser implementado de forma articulada com as atividades de ensino, pesquisa e extensão”, com ações de assistência estudantil a serem desenvolvidas nas áreas de alimentação (inciso II) e atenção à saúde (inciso IV), dentre outras (BRASIL, 2010). Desta forma, este projeto proposto colabora também com o desenvolvimento institucional, uma vez que o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) apresenta como uma de suas metas ações de promoção de Qualidade de Vida (UNIFAL-MG, 2015). As demandas que originaram a criação do projeto em 2014 continuam crescentes e o número de beneficiários em potencial também.

Beneficiário
Público alvo: Comunidade acadêmica de forma geral (servidores, discentes e funcionários terceirizados) e dependentes diretos dos servidores.