CONVERSAS MATEMÁTICAS

Apresentação
Este projeto é uma continuidade do projeto que está sendo desenvolvido desde 2017 com os participantes do Programa UNAPI-UNIFAL-MG. Nele, partimos da importância dos conhecimentos matemáticos para as tomadas de decisões diante de situações do dia a dia, para o estímulo do raciocínio e da memória e para a inclusão social. Nesta versão de projeto continuaremos com a proposta de oficinas para os participantes da UNAPI-UNIFAL-MG envolvendo a matemática. A metodologia empregada nas oficinas será a proposição de diferentes tipos de atividades (jogos, materiais manipulativos, investigações matemáticas) e uma postura de interação e troca de experiências entre os participantes e extensionistas. Como resultado, espera-se que o projeto possa continuar favorecendo a troca de experiências entre os extensionistas e participantes, as discussões sobre matemática do ponto de vista da matemática e do cotidiano e o exercício da memória e do raciocínio lógico-matemático.

Introdução
Nos últimos anos, o Brasil tem passado por transformações importantes na distribuição etária de sua população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/2013-agencia-de-noticias/releases/18263-pnad-2016-populacao-idosa-cresce-16-0-frente-a-2012-e-chega-a-29-6-milhoes.html), entre os anos de 2012 e 2016, a população idosa cresceu 16%, se aproximando atualmente dos 29,6 milhões de pessoas. Em 2001, esse número era de cerca de 15,5 milhões de pessoas (IBGE, 2012). Simões (2016) também apresenta dados que corroboram essa afirmativa e afirma que o processo de envelhecimento é mais amplo que uma simples elevação da população idosa. Ele coloca novas questões e demandas, em relação às políticas públicas e aos serviços prestados, que exigem uma atenção maior tanto dos governos federais, estaduais e municipais quanto da sociedade como um todo. Uma das preocupações das políticas públicas brasileiras têm sido a de promover melhorias na qualidade de vida para que as pessoas tenham um bom envelhecimento. Um aspecto para esta melhoria é o engajamento de idosos em atividades educativas. Tanto o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2013) quanto o Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2014) asseguram a educação como um direito aos idosos. A Educação Matemática, como aponta Skovsmose (2017), pode ser desenvolvida com diferentes grupos de pessoas, como é o caso dos idosos, em diferentes ambientes e se apresenta como uma possibilidade educacional para o desenvolvimento de leituras e escritas do mundo com implicações tanto no desenvolvimento cognitivo e social quanto em seu desenvolvimento crítico para a reivindicação de seus direitos e exercício da cidadania. Um caminho para essa leitura e escrita de mundo tem sido a utilização de diferentes tipos de atividades matemáticas. A pesquisa de Lima (2015) foi pioneira no âmbito da Educação Matemática envolvendo uma abordagem sistemática de desenvolvimento de atividades investigativas direcionada para o público idoso. Esta pesquisa, juntamente com as atividades desenvolvidas na ação “Conversas sobre Matemática com pessoas idosas” do projeto de extensão Laboratório de Ensino em Matemática (LEM) da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Rio Claro, nos inspiraram a desenvolver o Projeto de Extensão “Conversas Matemáticas”, que desde 2017 tem se dedicado ao público idoso, sendo que em 2018 ele passou a fazer parte do Programa UNAPI-UNIFAL-MG, como pode ser visto em Silva, Silva e Silva (2017) e Silva e Julio (2018). Nesta proposta, nosso objetivo é continuar desenvolvendo diferentes tipos de atividades com os participantes do Programa UNAPI-UNIFAL-MG que visem o estímulo ao raciocínio e a memória, uma maior criticidade em relação à matemática e seu papel no mundo e inclusão social dos idosos.

Objetivo Geral
Promover a educação de pessoas idosas no tema da matemática.

Objetivos Específicos
1. Promover atividades que envolvam pessoas idosas em situações que requeiram a tomada de decisão com base em análise matemática. 2. Promover atividades lúdicas envolvendo desafios matemáticos. 3. Promover atividades envolvendo o raciocínio matemático.

Justificativa
A inversão da estrutura etária da população brasileira tem chamado a atenção da sociedade e políticas públicas, por apresentar novas demandas. Uma delas está relacionada à Educação. Chegar a terceira idade pode significar uma abertura a diferentes experiências. O projeto “Conversas Matemáticas”, executado desde 2017 tem se apresentado como uma possibilidade de idosos viverem novas experiências. As participantes do projeto, em 2018, possuem formação em Farmácia, Educação Física, Magistério, Psicologia, Letras, Geografia e cursos técnicos. Muitas delas não gostavam de matemática quando estavam estudando na Educação Básica e o projeto se tornou um espaço para o enfrentamento dessas situações. O projeto também possibilitou a produção ou aprofundamento de conhecimentos matemáticos para estimular o raciocínio, a memória e as tomadas de decisão na vida (como é o caso de situações envolvendo compras na internet e no supermercado) e se constituiu como veículo de interações sociais não só na UNIFAL-MG como também nas relações familiares, pois muitas das atividades desenvolvidas no projeto foram utilizadas no convício familiar ou com outras pessoas, como pode ser visto em Silva e Julio (2018). Mas, o projeto tem contribuído para as experiência de formação de professores também, no aspecto da formação inicial, as extensionistas participantes tem experienciado vivências com um público diferente do que usualmente elas lidarão depois de formadas, aprender com o vasto conhecimento de mundo das idosas, prepararem e se prepararem para as atividades e exercitarem a docência, no aspecto da formação continuidade, os orientadores estão vivenciando uma reflexão continua sobre a prática de docência e criatividade para sugerir atividades que atenda aos idosos de forma a levar em consideração seus desejos e necessidades. Além disso, o projeto tem se constituído como fonte de pesquisa, como é o caso da mestranda Nayara da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNIFAL-MG, que tem pesquisado a influência deste de extensão na formação de professores. Consideramos que a continuidade do projeto se justifica pelo o que ele tem possibilitado aos diferentes atores envolvidos nele. Ele se justifica também pelo desafio que ainda não conseguimos atingir com as idosas: a educação matemática como veículo de inclusão tecnológica.

Beneficiário
Pessoas idosas que fazem parte do Programa Universidade Aberta à Pessoa Idosa (UNAPI) da Universidade Federal de Alfenas.