Apresentação
A mesa informativa sobre mineração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas será realizada no dia 8 de novembro de 2025, no Salão Norte da URCA. Diferentemente do discurso oficial das empresas, o evento dará destaque a informações e análises pouco acessíveis à população. Ao todo, 4 expositores (a confirmar) apresentarão perspectivas diferentes e alinhadas à crítica ao modelo predatório de mineração, e contará com uma mediação. Ao final, será aberta a discussão ao público. Trata-se de ação de extensão que articula ciência, cidadania e sustentabilidade, fortalecendo o diálogo público qualificado. Sua relevância acadêmica está na interdisciplinaridade e atualização de debates sobre mineração, meio ambiente e saúde coletiva, enquanto a relevância social se manifesta no empoderamento comunitário e na construção de consciência sobre os impactos de decisões que afetam o território e o futuro local.
Objetivos
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Justificativa
O município de Poços de Caldas e a região do planalto têm sido alvo de crescente interesse por parte de empresas nacionais e internacionais voltadas à exploração de minérios, em especial aqueles classificados como terras raras. Estes elementos químicos vêm sendo apresentados ao público como insumos estratégicos para a chamada transição energética, por estarem associados à produção de tecnologias consideradas "limpas", como turbinas eólicas, baterias e carros elétricos. No entanto, essa narrativa hegemônica frequentemente invisibiliza ou minimiza os impactos ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública da mineração, que são amplamente documentados em experiências internacionais e nacionais. No caso específico de Poços de Caldas, trata-se de um território com características geológicas e ecológicas frágeis, situado em um planalto de grande importância hídrica, ambiental e turística. Além disso, a região já acumula passivos ambientais significativos decorrentes de atividades minerárias anteriores, como os rejeitos de urânio e bauxita. Nesse contexto, a expansão de novas frentes de mineração de terras raras suscita preocupações legítimas da população, especialmente porque os canais oficiais de informação têm priorizado a divulgação das versões empresariais, sem garantir o mesmo espaço para perspectivas críticas e independentes. Assim, a presente ação de extensão universitária justifica-se como um espaço de promoção do pensamento crítico e da circulação de informações qualificadas. Por meio de uma mesa informativa, serão reunidos pesquisadores, estudantes, integrantes da sociedade civil organizada e comunidade em geral para dialogar sobre os riscos e impactos associados aos projetos minerários em andamento ou em fase de licenciamento. Diferentemente de um debate formal, que muitas vezes contrapõe visões díspares em tempo limitado, o formato proposto busca alinhar e fortalecer uma perspectiva crítica fundamentada, contribuindo para o amadurecimento coletivo de ideias e para a democratização do acesso a informações que não estão disponíveis nos canais hegemônicos. Do ponto de vista acadêmico, a ação tem relevância por articular diferentes áreas do conhecimento – como geociências, ciências ambientais, ciências sociais, saúde coletiva, direito e economia – em um tema de forte caráter interdisciplinar. Ela possibilita a estudantes e docentes uma experiência concreta de extensão, na qual teoria e prática se encontram em torno de problemas reais da comunidade local. Além disso, a atividade contribui para a formação de um perfil acadêmico e profissional mais crítico, comprometido com a sustentabilidade, a ética e a responsabilidade social. Do ponto de vista social, a mesa informativa cumpre a função de apoiar a comunidade na compreensão dos processos decisórios que afetam diretamente seu território, sua qualidade de vida e seu futuro. A mineração, especialmente quando realizada de forma predatória, pode gerar conflitos sociais, deslocamento de populações, contaminação de solos e águas, aumento de desigualdades e riscos à saúde pública. Ao disponibilizar informações baseadas em evidências científicas e experiências históricas, a ação fortalece o empoderamento comunitário e contribui para a participação cidadã qualificada em audiências públicas, consultas e demais instâncias de deliberação. Por fim, a ação dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, ao promover Saúde e Bem-Estar (ODS 3), Educação de Qualidade (ODS 4), Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11), Consumo e Produção Responsáveis (ODS 12), Ação contra a Mudança Global do Clima (ODS 13) e Vida Terrestre (ODS 15). Com isso, a universidade reafirma sua função social de atuar como parceira estratégica da sociedade na busca por alternativas de desenvolvimento justo, democrático e ambientalmente responsável. Dessa maneira, a realização da mesa informativa sobre mineração de terras raras em Poços de Caldas apresenta-se como uma ação acadêmica e socialmente relevante, que atende às demandas locais e regionais por informação crítica e qualificada, ao mesmo tempo em que fortalece a missão institucional da universidade de produzir conhecimento, dialogar com a sociedade e contribuir para a construção de um futuro mais sustentável e equitativo.
Beneficiário
População de Poços de Caldas e região.