CONVERSAS MATEMÁTICAS: EXPERIÊNCIAS EXTENSIONISTAS COM PESSOAS IDOSAS NA UNIFAL-MG
Resumo:Conversas Matemáticas: experiências extensionistas com pessoas idosas na UNIFAL-MG Cleyton Noronha Monteiro cleyton.monteiro@sou.unifal-mg.edu.br Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) Danielle Victoria Nunes Oliveira danielle.nunes@sou.unifal-mg.edu.br Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) Rejane Siqueira Juliorejane.julio@unifal-mg.edu.br Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) Ronaldo André Lopes ronaldoalopes@outlook.com Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) José Claudinei Ferreira jose.ferreira@unifal-mg.edu.br Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) Palavras-chave: Pessoas idosas. Extensão Universitária. Educação Matemática. UNATI. Introdução No Brasil, observa-se um crescimento contínuo da população idosa, fenômeno diretamente associado ao aumento da expectativa de vida. Esse processo de envelhecimento demográfico impõe muitos desafios, sendo um exemplo, os conhecimentos para poder lidar com as demandas da vida cotidiana ou manter a mente ativa. Nesse sentido, ações educativas podem ser desenvolvidas em diferentes espaços. No âmbito do ensino superior, o Estatuto da Pessoa Idosa estabelece que: “Art. 25. As instituições de educação superior ofertarão às pessoas idosas, na perspectiva da educação ao longo da vida, cursos e programas de extensão, presenciais ou a distância, constituídos por atividades formais e não formais” (Brasil, 2003, s.p.). Neste contexto, surge o projeto de extensão Conversas Matemáticas, desenvolvido no programa de extensão Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI), desde 2018. O objetivo do projeto é desenvolver atividades para e com pessoas idosas envolvendo matemática a partir de problemas a serem investigados, construção e manipulação de materiais e jogos matemáticos, discussões sobre a influência da matemática no aspecto estético e comercial das propagandas e em outras atividades (artes, arquitetura, engenharia, dentre outras), abordagem da história da matemática e desafios. Neste trabalho objetivamos apresentar os principais resultados obtidos a partir da execução do projeto Conversas Matemáticas em sua edição de 2024. Materiais e Métodos Em 2024, foram desenvolvidas 26 atividades, com aproximadamente, oito pessoas idosas de forma presencial, por uma equipe composta por uma coordenadora, um coordenador adjunto, dois discentes do curso de Licenciatura em Matemática da UNIFAL-MG e um professor da Educação Básica. Foram desenvolvidas, ainda, atividades à distância, por meio de postagens via Whatsapp, com cerca de 20 pessoas idosas, com discussões mediadas pela equipe que faz ou já fez parte do projeto em outras edições e pelas próprias pessoas idosas. A equipe se reunia semanalmente para elaboração e discussão das atividades. Para a apresentação dos resultados, analisamos, da perspectiva de professores pesquisadores, essas ações. Os dados foram coletados por meio de relatórios elaborados pela equipe, contendo a descrição e análise de cada atividade realizada e pelas anotações de uma avaliação final do projeto pelas idosas participantes e pela equipe em uma atividade de confraternização. O foco no desenvolvimento das atividades é promover conversas, ou seja, fomentar produção de significados, entendida como tudo o que uma pessoa pode e efetivamente diz de algo em uma situação, o que implica em produção de conhecimentos (Lins, 2012). Na elaboração e realização das atividades são seguidas as recomendações de Lima (2015), como ser claro e objetivo na organização e abordagem das atividades, preparando o ambiente em que elas acontecem; aumentar a fonte das letras para facilitar a leitura dos textos e das apresentações elaboradas; utilizar uma entonação de voz adequada (tom de voz um pouco mais alto e pausado); e valorizar as experiências das participantes idosas. Além disso, seguimos duas recomendações propostas por Julio et al. (2023): importância de as atividades serem visualmente bonitas e atrativas e importância de propor atividades que envolvam construção e produção de materiais, pois foi observado um maior engajamento e interesse por atividades que apresentam uma estética mais elaborada e agradável. Resultados e Discussão Com a realização dos encontros presenciais, identificamos um maior engajamento das pessoas idosas, com participação ativa e o envolvimento direto delas nos processos de construção e resolução de tarefas promovendo a autonomia, liberdade de fala, resolução de tarefas, colaboração entre as participantes, e práticas de convívio, estreitando vínculos de amizade entre participantes e equipe. Foram abordados diversos temas nos encontros, como: dobraduras, fractais, jogos de matrizes africanas, sequências e padrões, entre outros. No aspecto da produção de conhecimento matemático, consideramos que as atividades que envolviam a observação e estabelecimento de padrões foram as que mais despertaram o interesse das participantes, bem como as que envolviam construções no papel com a utilização de régua e dobraduras. Além disso, as atividades evidenciaram a importância do projeto para a socialização das idosas e para conversas que ultrapassam a matemática, visto que elas se sentem à vontade para discutir com a equipe sobre diversos assuntos. No desenvolvimento à distância, notamos maior autonomia das pessoas idosas em postarem atividades e conduzir discussões, significando uma apropriação do grupo como um espaço delas (Lopes et al., 2021). As participantes destacaram, ainda, que compraram alguns dos materiais trabalhados para usarem com a família, ressaltando o impacto do projeto não só do ponto de vista pessoal, de interações e produção de conhecimentos matemáticos, como o de estabelecimentos de padrões, mas no ambiente familiar, gerando práticas inclusivas. Elas destacam que participam do projeto não somente pela matemática, mas também, pela oportunidade de estar com a equipe e com as colegas, ou seja, a matemática se torna um motivo para encontros e conversas em diferentes espaços pelas pessoas que frequentam o projeto. Conclusões Consideramos que o projeto tem contribuído significativamente para a autonomia das participantes idosas, se configurando como um espaço que valoriza a liberdade delas e a realização colaborativa de tarefas, com interações entre elas e a equipe executora e produção de conhecimentos. Além disso, as atividades são frequentemente levadas para o ambiente familiar, favorecendo maior inclusão. As participantes desenvolvem vínculos de amizade entre si e com a equipe, fortalecendo o senso de pertencimento e o convívio social. Desde o início do projeto Conversas Matemáticas, em 2018, ainda temos o desafio da ampliação da quantidade de participantes e de atendimento de um público com baixa escolaridade e idosos do sexo masculino. As pessoas idosas que frequentam a UNATI relatam medo e insegurança em relação à matemática, uma vez que o nome do projeto tem explícito a palavra matemática, por isso, as participantes sugerem que alteremos o nome para algo mais atraente e chamativo. Agradecimentos Agradecemos a PROEC - UNIFAL-MG pelo apoio e a emenda parlamentar que financiou o projeto.
Referência 1:BRASIL. Lei nº. 10.741, de 1 de outubro de 2003. Estatuto da Pessoa Idosa. Brasília, 2003. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm. Acesso em: 15 abr. 2025.
Referência 2:JULIO, R. S.; SILVA, G. H. G.; LOPES, R. A.; CARDOSO, R. F. Construção de materiais para conversas matemáticas com pessoas idosas. In: SILVA, G. H. G.; JULIO, R. S. J. (orgs). Educação Matemática para
Referência 3:LIMA, L. F. Conversas sobre matemática com pessoas idosas viabilizadas por uma ação de extensão universitária. 2015. Tese (Doutorado em Educação Matemática) – Instituto de Geociências e Ciências Exata