| Resumo: | Introdução e referencial teórico: A síndrome da fragilidade e a insegurança alimentar (IA) são condições prevalentes e inter-relacionadas em pessoas idosas, com implicações importantes para a saúde pública. O diabetes mellitus pode intensificar essa relação, dada sua associação com pior estado nutricional e funcional1,2. Objetivo: Determinar se há diferenças na associação entre IA e a síndrome da fragilidade com pessoas idosas residentes na comunidade segundo os critérios de classificação para diabetes. Material e métodos: Trata-se de um estudo seccional, realizado por meio de inquérito domiciliar com uma amostra de 448 pessoas idosas residentes em um município de Minas Gerais. Utilizou-se questionário contendo aspectos sociodemográficos e condição geral de saúde. A fragilidade foi autorreferida por meio de instrumento validado3. A IA foi avaliada pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA)4. Utilizou-se regressão logística na análise estatística dos dados. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFAL-MG sob o parecer nº 2.668.936. Resultados e discussão: As pessoas foram estratificadas em três grupos: sem diabetes, pré-diabetes e diabetes. No grupo sem diabetes e pré-diabetes, a maioria dos indivíduos não possuíam fragilidade. No grupo de pessoas idosas com diabetes, 53,3% das mulheres apresentavam fragilidade; renda familiar > 2 salários mínimos (54,0%); 57,1% apresentaram classificação de IMC de baixo peso e 81,8% estavam em insegurança alimentar. Na análise multivariada foi observada associação entre insegurança alimentar e fragilidade apenas no grupo com diabetes (OR=10,21; IC95%: 2,66-39,19). Além disso, nesse grupo, pessoas idosas com sintomas depressivos (OR=2,25; IC95%: 1,03-4,94) e sobrepeso (OR=2,97; IC95%: 1,28-6,88) apresentaram mais chances de serem indivíduos frágeis. Conclusão: Observou-se associação entre insegurança alimentar e fragilidade apenas entre as pessoas com diabetes, o que pode indicar que em pessoas idosas sem diabetes ou com pré-diabetes, o organismo pode ter maior reserva fisiológica para lidar com adversidades nutricionais.
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