CARACTERIZAÇÃO DA MIOPATIA DO MÚSCULO DIAFRAGMA DISTRÓFICO DE CAMUNDONGOS MDX COM 54 SEMANAS DE VIDA
Resumo:A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética caracterizada pela degeneração progressiva dos músculos esqueléticos e cardíacos, resultando em perda da deambulação independente e grave comprometimento cardiorrespiratório. Neste trabalho, objetivou-se caracterizar as principais alterações histopatológicas no diafragma (DIA) de modelos murinos com DMD em estágio avançado, a fim de determinar o grau de acometimento desse músculo, cuja perda de função leva à insuficiência respiratória conforme a progressão desse distúrbio. Foram utilizados 16 camundongos machos, sob aprovação da Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) (processo 0031/2022), divididos em dois grupos experimentais: grupo controle (linhagem C57BL/10) e grupo mdx (linhagem mdx, com o gene DMD afetado). Após 54 semanas, realizou-se a coleta, a inclusão do material histológico e a confecção de lâminas do músculo DIA, as quais foram submetidas à coloração por hematoxilina-eosina (HE) para análises de quantificação dos núcleos centrais e periféricos, das áreas de infiltrado inflamatório e da área de seção transversal das miofibras individuais, medida através do diâmetro de Feret. Para análise estatística, os dados foram expressos como média ± EP, submetidos à Análise de Variância (ANOVA), pós-teste de Tukey e p < 0,05. Os resultados revelaram elevado percentual de fibras com núcleo centralizado, redução de diâmetro e extensa área de inflamação em mais de 50% do DIA, com proeminente infiltrado de macrófagos F4/80. Desse modo, a presença dos núcleos centrais e o significativo infiltrado inflamatório evidenciam o resultado de ciclos repetidos de necrose e regeneração celular, característicos do processo inflamatório crônico da DMD. Além disso, observou-se intensa desorganização arquitetural desse tecido por meio da heterogeneidade na disposição e no diâmetro das fibras, com predominância de atrofia. Portanto, o estudo corrobora a avançada deterioração do DIA em camundongos mdx com 54 semanas de vida, fornecendo substrato para o avanço na elucidação da fisiopatologia da DMD.
Referência 1:BUSHBY, K.; HILL, A.; STEELE, J. Failure of early diagnosis in symptomatic Duchenne muscular dystrophy. The Lancet, v. 353, n. 9152, p. 557–558, 1999.
Referência 2:BULFIELD, G. et al. X chromosome-linked muscular dystrophy (mdx) in the mouse. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 81, n. 4, p. 1189–1192, 1984.
Referência 3:EMERY, A. E. H. Population frequencies of inherited neuromuscular diseases—A world survey. Neuromuscular Disorders, v. 1, n. 1, p. 19–29, 1991.