AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE DAS COLINESTERASES EM INDIVÍDUOS OCUPACIONALMENTE EXPOSTOS A AGROTÓXICOS NO SUL DE MINAS GERAIS
Resumo:No Brasil, o uso de agrotóxicos é amplamente difundido para o controle de pragas nas lavouras. Embora eficazes, essas substâncias não são seletivas, podendo atingir diversos organismos não alvo, inclusive o ser humano. Dentre os efeitos relacionados à exposição ocupacional aos compostos organofosforados e carbamatos, destaca-se a inibição das enzimas colinesterases, responsáveis pela degradação do neurotransmissor acetilcolina nas sinapses nervosas. Essa inibição pode levar a manifestações clínicas importantes, como bradicardia, insuficiência respiratória e, em casos graves, óbito, em decorrência do acúmulo do neurotransmissor. Assim, a avaliação da atividade dessas enzimas tornou-se uma ferramenta relevante para o monitoramento da exposição e dos efeitos tóxicos associados. No entanto, considerando-se que este biomarcador não é específico e que muitas vezes não é possível obter valores basais pré-exposição, torna-se essencial a comparação com grupos de comparação e a constante reavaliação de valores de referência regionais. Neste estudo, avaliou-se a atividade das colinesterases total, plasmática e eritrocitária em 40 voluntários, sendo 20 homens e 20 mulheres, sendo que um n=10, de cada sexo, estava exposto ocupacionalmente a agrotóxicos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, da UNIFAL-MG (CAAE: 67184123.2.0000.5142). Utilizou-se o método de Ellman modificado, baseado na leitura espectrofotométrica em 430 nm do produto colorido resultante da reação entre o DNTB e a tiocolina, gerada pela hidrólise enzimática da acetiltiocolina. Para a colinesterase plasmática, os valores das atividades foram: homens do grupo exposto, 8,70 ± 2,64; homens do grupo comparação, 9,07 ± 4,60; mulheres do grupo exposto, 8,30 ± 1,48; e mulheres do grupo comparação, 9,44 ± 3,82. Já para a colinesterase eritrocitária, os resultados das atividades foram: homens do grupo exposto, 31,45 ± 2,85; homens do grupo controle, 53,44 ± 16,26; mulheres do grupo exposto, 41,14 ± 7,73; e mulheres do grupo controle, 48,00 ± 8,36. Apesar dos grupos serem reduzidos, os resultados obtidos já indicaram redução importante na atividade colinesterásica eritrocitária, nos indivíduos expostos ocupacionalmente aos agrotóxicos, especialmente entre os homens. Este indicador de efeito é importante pois apresenta correlação com a enzima do sistema nervoso central e, por ser de inibição tardia, representa exposição crônica. Além disso, foi observada uma tendência de diminuição também nos valores da colinesterase plasmática, relacionada à exposição aguda. Esses achados reforçam a importância do biomonitoramento como ferramenta para a detecção precoce de possíveis efeitos tóxicos e para a promoção de ações preventivas voltadas à saúde dos trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos, inibidores das colinestarases, frequentemente usados na região estudada.
Referência 1:DINGOVA, D. et al. Optimal detection of cholinesterase activity in biological samples: modifications to the standard Ellman’s assay. Analytical biochemistry, v. 462, p. 67–75, 2014.
Referência 2:TINCU, R. C. et al. Long term cholinesterase inhibition after skin exposure to organophosphates. Toxicology letters, v. 238, n. 2, p. S144–S145, 2015.