| Resumo: | Durante a gestação, a exposição a altas temperaturas pode causar um estresse térmico no organismo materno, comprometendo a homeostase uterina e o desenvolvimento fetal. Variações na temperatura corporal da gestante aumentam o risco de alterações como, crescimento anormal do feto, distúrbios metabólicos e alterações imunológicas. As células Natural Killer uterinas (uNK), componentes do sistema imune inato, desempenham funções especializadas no útero, como a remodelação das artérias espiraladas uterinas e manutenção da decídua. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da exposição ao calor sobre a reatividade das células uNK e a morfologia das arteríolas uterinas. Foram utilizadas fêmeas prenhes de camundongos Swiss expostas a 37 °C. Os sítios de implantação foram preparados para análise estereológica e citoquímica com lectina DBA, e com hematoxilina e eosina para análise morfométrica das arteríolas. Os resultados demonstraram redução da reatividade das células uNK, diminuição de células uNK imaturas e plenamente diferenciadas, e aumento do subtipo DBAlow. Também observou-se alterações vasculares, como vasodilatação das arteríolas espiraladas uterinas, maior incidência de pontos hemorrágicos, presença de hemorragia tecidual na decídua e até mesmo perda gestacional. Logo, tais achados sugerem que o calor pode induzir a alterações homeostáticas nas células deciduais e trofoblásticas, que culminaram nas alterações vasculares, teciduais e redução da viabilidade gestacional. A presença de uNKDBAlow pode indicar uma ativação citotóxica, possivelmente relacionada a um processo inflamatório. Além disso, verificou-se uma aceleração na diferenciação das uNK. Logo, conclui-se que a exposição ao calor afeta negativamente o ambiente intrauterino, prejudicando o fluxo sanguíneo materno-fetal e alterando a distribuição de células uNK, podendo resultar em complicações semelhantes às observadas em modelos inflamatórios gestacionais, com um risco aumentado de perda fetal.
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