SÉRIES TEMPORAIS APLICADAS À DINÂMICA DO USO E COBERTURA DA TERRA NO MUNICÍPIO DE PARAGUAÇU, SUL DE MINAS GERAIS, ASSOCIADA A PRESENÇA DE CONTAMINANTES NA ÁGUA.
Resumo:A intensa ocupação humana, iniciada no período pré-colonial, somada à concentração populacional e ao avanço das atividades econômicas, promoveu uma drástica alteração na cobertura vegetal nativa¹. Diante desse cenário, o uso de geotecnologias se torna essencial para compreender, analisar e propor soluções frente aos impactos ambientais²,³. Ferramentas como o sensoriamento remoto e os Sistemas de Informação Geográfica têm sido amplamente utilizadas para monitorar mudanças no uso da terra. Entre as ferramentas utilizadas, o MapBiomas4 destaca-se por ser um projeto de âmbito nacional com a função do mapeamento anual e classificação dos diferentes tipos de uso da terra no Brasil. A partir de dados coletados e publicados em 2023 pelo Ministério da saúde, o município de Paraguaçu-MG destaca-se como a cidade com maior número de agrotóxicos na água entre as demais cidades da Região Geográfica Imediata de Alfenas. Dessa forma, a partir da análise de uma série temporal de 30 anos, com intervalos de 10 anos entre 1993 e 2023, com foco nas culturas temporárias de Paraguaçu-MG, foi possível verificar um aumento da classe de foco. Além disso, o número de contaminantes está relacionado à expansão das culturas temporárias, que pelo seu manejo, com o uso de defensivos atingem os corpos d'água e acabam chegando até os consumidores. Em Paraguaçu, as lavouras temporárias tiveram um aumento de 477,9% entre os anos de 1993 e 2023, o que corresponde em hectares (ha) a uma área de 5.536,08 ha. Ainda foi possível verificar que há um período de intensificação entre os anos de 1993 e 2003, demonstrando-se o maior dentre os intervalos, com um aumento de 320,2% o que equivale a 3.709,44 ha. Sendo assim, a utilização das geotecnologias se torna crucial para a mitigação de danos, tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública.
Referência 1:RIBEIRO, M. C.; METZGER, J. P.; MARTENSEN, A. C.; PONZONI, F. J.; HIROTA, M. M. The Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed? Implications for conservat