TERRITÓRIO, EDUCAÇÃO E AGROECOLOGIA: EXPERIÊNCIAS DE RESISTÊNCIA NO QUILOMBO CAMPO GRANDE (CAMPO DO MEIO–MG)
Resumo:Os territórios do MST têm articulado a Educação do Campo com a intencionalidade de barrar e superar o processo de territorialização do capitalismo no campo (Caldart, 2004). O território de ocupação do MST, denominado Quilombo Campo Grande, localizado no município de Campo do Meio MG, estruturou a Escola Agroecológica Popular Eduardo Galeano com o objetivo de constituir-se como um espaço de fomento à transição agroecológica que perpassa o território. Nesse sentido, esta pesquisa buscou compreender o papel da escola nessa dinâmica. A participação em eventos realizados no território, bem como os trabalhos de campo e as entrevistas, possibilitaram a compreensão da dinâmica social do movimento popular, cuja realidade tornou-se totalidade para a pesquisa. Tal abordagem permitiu compreender os processos e as relações entre a educação e a organização socioespacial. Os resultados da pesquisa demonstram que a escola tem introduzido racionalidades próprias da Educação do Campo, nas quais o modo de vida e a identidade territorial camponesa são partes integrantes do projeto educativo. Nesse contexto, constatou-se que a agroecologia tem norteado os princípios pedagógicos das aulas formais, mesmo diante da imposição da BNCC. Segundo uma das entrevistas, a escola foi concebida a partir de uma concepção social e produtiva agroecológica, o que possibilitou, por exemplo, o cultivo de uma horta e de uma agrofloresta pelos alunos. Além disso, a escola tem sido apropriada por coletivos que discutem a agroecologia na região, promovendo eventos como a troca de sementes crioulas e cursos de propagação de tecnologias ancestrais, através do método “Camponês a Camponês”. O espaço também tem sido sede para a organização dos coletivos Raízes da Terra e Cooperativa Camponesa, que realizam reuniões e atividades formativas no local. Assim, a pesquisa evidencia que o espaço educacional e a agroecologia configuram-se como ferramentas centrais de resistência, emancipação e de estruturação da agroecologia no território
Referência 1:CALDART, Roseli Salete. A Pedagogia do Movimento Sem Terra. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2004. 448 p.