| Resumo: | O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma lesão cerebral provocada por força física externa e
constitui uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. Este estudo teve como
objetivo avaliar a influência de fatores demográficos e temporais na mortalidade hospitalar por TCE. Os
dados foram obtidos junto ao Sistema de Informações Hospitalares do SUS, por meio do sistema TABNET
(BRASIL, 2025), sendo analisadas as variáveis: sexo, faixa etária, números de internações e óbitos, durante
o período de 2010 a 2023. Para avaliar os fatores que influenciam na chance de morte, foi ajustado, para
cada sexo, um modelo logístico binomial usando o software R (R, 2023). Verificou-se maior chance de
óbito com o aumento da idade em ambos os sexos. Entre as mulheres, as chances foram 11,2 vezes maiores
na faixa etária acima de 60 anos, quando comparada à de 0 a 10 anos; entre os homens, essa razão foi de
13,5. Esses achados podem estar relacionados à maior vulnerabilidade da população idosa a quedas e
acidentes domésticos (LIMA et al., 2022). Além disso, em todos os grupos etários, exeto o de 0 a 10 anos,
a razão de chances(RC) de óbito é maior para o sexo masculino do que para o feminino, indicando, também,
maior vulnerabilidade deste grupo. Identificou-se uma tendência significativa de redução da chance de
mortalidade ao longo dos anos, sendo que a RC de 2023 para 2010 diminuiu 29% para mulheres e 25%
para os homens. Esse resultado sugere impacto positivo de estratégias de prevenção e de assistência.
Conclui-se que a idade avançada é um fator relevante na mortalidade por TCE e que a maior vulnerabilidade
observada entre os homens reforça a necessidade de políticas públicas que considerem essas desigualdades.
|