| Resumo: | As clínicas odontológicas universitárias exercem papel complementar no atendimento à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente frente à limitada capacidade da atenção básica em absorver integralmente a demanda odontológica infantil. Nesse contexto, compreender a distribuição espacial da população atendida e suas condições de saúde bucal torna-se fundamental para orientar o planejamento dos serviços. O objetivo deste estudo foi analisar a distribuição espacial e as condições de saúde bucal de crianças atendidas na Clínica de Odontopediatria da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), entre janeiro de 2023 e junho de 2024. Trata-se de um estudo transversal e descritivo, com análise espacial em saúde, realizado com dados de 121 crianças de 4 a 12 anos de idade. Os endereços residenciais foram geocodificados no RStudio e representados em mapas de pontos, círculos proporcionais e fluxos elaborados no QGIS. Essas representações foram sobrepostas à localização de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEIs) e escolas públicas. A condição bucal foi avaliada pelo índice ceo-d, categorizado segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (livres de cárie; severidade grau 2; severidade grau 3). Os resultados evidenciaram maior concentração de atendimentos em áreas urbanas específicas, apontando desigualdades territoriais entre a demanda e a oferta de serviços de atenção primária em saúde bucal. Embora muitas famílias residissem próximas a UBSs, registrou-se deslocamento relevante até a clínica universitária. Quanto à condição bucal, 38 (31,4%) estavam livres de cárie, 64 (52,9%) apresentaram severidade grau 2 e 19 (15,7%) severidade grau 3. Os casos mais graves ocorreram em regiões de maior vulnerabilidade social e de maior fluxo de deslocamento, inclusive em áreas próximas a UBSs. Conclui-se que a análise espacial descritiva, realizada com geocodificação no RStudio e mapas no QGIS, mostrou-se estratégica para identificar áreas prioritárias, evidenciar desigualdades territoriais no acesso e compreender padrões de cárie infantil, com potencial de contribuir para o planejamento intersetorial em saúde bucal infantil.
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