| Resumo: | Ao compreender a Geografia enquanto ciência, entende-se que ela necessite de um método para o estudo de seu objeto. O método científico está profundamente ligado aos fundamentos teóricos de uma disciplina acadêmica, constituindo-se como ponto de partida para a pesquisa, que indicará a problemática e os caminhos metodológicos que devem ser seguidos pelos pesquisadores. Nesse sentido, o trabalho busca evidenciar o método materialista histórico-dialético como um método de análise da realidade ou do real, desenvolvido principalmente por Karl Marx e Friedrich Engels, e a possibilidade de sua aplicação na Geografia, a partir da trajetória epistemológica do geógrafo brasileiro Milton Santos. Buscamos em autores como Laville & Dionne (1999), Sposito (2003) e Paulo Netto (2015) identificar características do método científico, em Marx (2011), Konder (2011) e outros, compreender o método materialista histórico-dialético e analisar a aplicação desse método na Geografia brasileira por Santos (2004, 2014 entre outros). Por se tratar de um trabalho estritamente teórico, sua metodologia consistiu em análise da literatura, a partir de autores tidos como clássicos e outros estudos atuais acerca do método, bem como de livros de Milton Santos publicados em um recorte temporal específico (1971-1988). Como primeiros resultados, destacamos como característica essenciais do método dialético marxista a totalidade em transformação, a contradição, a relação sujeito e objeto não separados, mas ambos interagindo e se transformando mutuamente, além de sua finalidade prática, em vista da transformação da realidade. Nas obras de Santos, encontramos a proposição de uma Geografia crítica, que entende o espaço geográfico como uma totalidade em movimento, bem como a atualização de conceitos, respeitando a periodização histórica. Desse modo, ao analisarmos sua trajetória epistemológica, fica evidente a opção de método a partir de sua interpretação do mundo, como também nos conceitos atualizados ou propostos por ele.
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