| Resumo: | Este estudo buscou compreender as vivências que moldam as trajetórias acadêmicas e profissionais de docentes mulheres na área de Ciências Exatas em universidades federais do sul de Minas Gerais, com ênfase na interseccionalidade como ferramenta analítica. O referencial teórico baseia-se em Estudos de Gênero (Butler, 2015), e na abordagem qualitativa. Primeiramente, construímos um banco de dados a partir de informações públicas de docentes mulheres na área de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) em duas instituições. Em seguida, elaboramos e aplicamos um questionário semiestruturado com 48 perguntas, enviado para 143 docentes, das quais 35 participaram. Os dados produzidos foram organizados em quatro blocos: perfil sociodemográfico, vivências em ações afirmativas, formação acadêmica e experiências profissionais. Os resultados indicam que aproximadamente 83% se autodeclararam brancas, evidenciando ausência de diversidade racial; 57% são mães, sendo que a maioria (60%) postergou a maternidade para depois da conclusão do doutorado, como já discutida por Silva (2024). Além disso, 94% relataram não ter tido contato com estudos de gênero ou sobre relações étnico-raciais durante a formação inicial, mesmo que quase metade declare incluir tais temáticas em suas práticas pedagógicas. Além disso, 65,7% relataram ter vivenciado assédio moral e 17% assédio sexual ao longo da carreira, o que revela a permanência de microagressões e misoginia no ambiente acadêmico. Tais resultados reforçam a necessidade de revisão curricular e de maior compromisso institucional com políticas de ações afirmativas, de modo a combater o Efeito Tesoura (Menezes; Brito; Anteneodo, 2017), além de promover uma ciência mais justa, inclusiva e plural. Esperamos que este estudo promova uma reflexão crítica no ambiente acadêmico, promovendo justiça e equidade na formação e atuação de mulheres na ciência, e fortalecendo o compromisso institucional na implementação em garantir a permanência e ascensão delas em espaços acadêmicos.
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