TERTÚLIAS DIALÓGICAS, UM MODO DE LER E ESCREVIVER O MUNDO (FEMININO): ANOTAÇÕES METODOLÓGICAS E CONCEITUAIS DO PROJETO “ESCREVIVÊNCIAS FEMININAS”
Resumo:A pesquisa Iniciação Científica em tela objetiva apresentar/sistematizar informações relativas à execução extensionista do projeto de extensão com interface com a pesquisa “Escrevivências femininas: traçando linhas em educação, direitos humanos e políticas públicas em Varginha/MG”, financiado pela FAPEMIG e coordenado/executado pelo Grupo de Pesquisa Gênero pela Não Intolerância (GENI), que propõe a autorreflexão de mulheres em situação de vulnerabilidade social sobre suas vivências. A pesquisa destaca a relação do projeto com a educação em direitos humanos e a extensão universitária; sua metodologia extensionista, amparada nas Tertúlias Dialógicas (Flecha et al., 2013) e no conceito de “escrevivência” (Evaristo, 2020); seu contexto de execução e o perfil das mulheres-participantes, além da descrição e análise das produções textuais autorais originárias das mulheres-participantes. Para execução das Tertúlias Dialógicas, foram realizadas 7 oficinas culturais nas unidades I, II e V do CRAS e com outros dois grupos de mulheres (da Pastoral das Crianças na Paróquia de Sant’Anna e da ONG Oficina do Ser), no total de 68 participantes. A materialização da autorreflexão realizada pelas mulheres-participantes das Tertúlias Dialógicas a respeito de suas experiências e vivências se deu tanto a partir dos relatos nas rodas de conversa quanto da produção autoral de textos diversos (fotomontagens, bilhetes, cartas, recortes, etc.). A pesquisa e o projeto estão alinhados em termos metodológicos, conceituais e práticos aos pressupostos fundamentais da Educação em Direitos Humanos, não só na necessidade de colocar em pauta questões relativas a gênero e a enfrentamentos de situações de opressão e violências, das quais muitas vão sendo naturalizadas pela sociedade, mas sobretudo por identificar causas desses problemas e procurar, por meio da reflexão coletiva, empática e solidária, estabelecer ações que levem a mudanças culturais no que diz respeito a violações dos direitos das mulheres e ao compromisso com a igualdade de gênero de fato.
Referência 1:EVARISTO, C. A escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, C. et. al (org.) Escrevivência: a escrita de nós - reflexões sobre a obra de Conceição. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020.
Referência 2:FLECHA, R. et al. Transferencia de tertulias literarias dialógicas a instituciones penitenciarias. Revista de Educación, Madri, 360. Enero-abril, p. 140-161, 2013.