| Resumo: | O fumo passivo, formado pela fumaça exalada por fumantes e pela combustão de produtos de tabaco, contém mais de 7.000 substâncias químicas, incluindo cerca de 70 carcinógenos. Crianças até seis meses apresentam vulnerabilidade especial devido à imaturidade do sistema respiratório e imunológico, aumentando o risco de infecções e complicações graves. O objetivo do presente estudo foi revisar a literatura científica sobre a associação entre exposição ao fumo passivo e ocorrência de doenças respiratórias em crianças com até seis meses, destacando riscos imediatos e futuros. Realizou-se revisão narrativa da literatura em PubMed, Scielo e relatórios oficiais de órgãos de saúde. Foram incluídos estudos publicados entre 2010 e 2025 que relacionassem exposição ao fumo passivo e desfechos respiratórios em lactentes, com ênfase na faixa etária de até seis meses. Priorizaram-se artigos com dados clínicos, epidemiológicos e observacionais relevantes. A literatura evidencia associação consistente entre fumo passivo e doenças respiratórias agudas, como bronquiolite e pneumonia, além de sintomas crônicos como tosse persistente e chiado. Observa-se também maior incidência de otite média e risco elevado de síndrome da morte súbita do lactente. A intensidade e frequência da exposição correlacionam-se com a gravidade dos sintomas e necessidade de hospitalização. Exposição pré-natal e pós-natal aumenta o risco de sibilos e problemas respiratórios contínuos no primeiro ano. Estima-se que cerca de 15% das crianças menores de um ano sejam expostas em domicílios com fumantes. Os mecanismos incluem inflamação das vias aéreas, prejuízo no desenvolvimento pulmonar e alterações imunológicas, podendo gerar efeitos de longo prazo, como aumento do risco de asma e doença pulmonar obstrutiva. A exposição ao fumo passivo em crianças até seis meses constitui relevante problema de saúde pública, com impactos imediatos e futuros. Os achados reforçam a necessidade de ambientes domiciliares livres de tabaco e de políticas públicas eficazes de prevenção do tabagismo.
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| Referência 1: | JONES, L. L. et al. Parental smoking and the risk of respiratory infections in infants: a systematic review and meta-analysis. Archives of Disease in Childhood, v. 96, n. 5, p. 482-492, 2011. |
| Referência 2: | LI, J. S. et al. Prenatal and postnatal exposure to environmental tobacco smoke and respiratory health in children: systematic review and meta-analysis. Respiratory Research, v. 12, n. 5, p. 1-14, 201 |
| Referência 3: | SILVESTRI, M. et al. Passive smoking and wheezing in children: a meta-analysis. Pediatrics, v. 129, n. 4, p. 735-744, 2012. |