| Resumo: | A heterogeneidade genética, elevada taxa de mortalidade e potencial metastático do melanoma fazem dele um dos tumores malignos mais agressivos e resistentes à terapia antineoplásica. A eficácia limitada dos tratamentos clínicos evidencia a necessidade urgente da busca por novos candidatos a fármacos. Complexos metálicos à base de rutênio II (Ru II) têm demonstrado atividade antitumoral promissora em diversos tipos celulares. Sua estrutura química permite a ligação ao ácido cinâmico, um composto fenólico com propriedades antineoplásicas, resultando na síntese do complexo inédito Cinam {[Ru(3,4-metileno-cinâmico)(dppb)(bipy)]PF6}. Estudos prévios in vitro demonstraram os efeitos antiproliferativos do Cinam em linhagens celulares derivadas de melanoma. Neste estudo, utilizamos um modelo singênico para investigar o efeito antitumoral in vivo do Cinam em melanoma metastático (CEUA-UNIFAL 0007/2024). Células de melanoma murino (B16-F10) foram implantadas subcutaneamente (sc) no dorso de camundongos C57BL/6 machos. Após o desenvolvimento tumoral, os animais foram tratados por 5 dias consecutivos com Cinam [5 mg/Kg peso corpóreo (pc) sc 1x/dia]. Foram incluídos grupos controle negativo (CN), implante (CI), solvente [dimetilsulfóxido (DMSO) 5%] e positivo [cisplatina (CDDP) 7 mg/Kg pc], além de um grupo combinado Cinam + CDDP. A massa corporal e os consumos de água e ração foram monitorados. Amostras de sangue foram coletadas para avaliação de creatinina, ureia, aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT). Tumores e órgãos foram pesados para avaliação da eficácia antitumoral e potenciais efeitos tóxicos. Células da medula óssea e do fígado foram coletadas para avaliação de danos ao DNA. O Cinam não demonstrou causar toxicidade sistêmica, citotoxicidade ou mutagenicidade. Entretanto, reduziu em apenas 15% o peso tumoral em relação ao CI, efeito semelhante ao observado na combinação com CDDP, que teve seu efeito antitumoral comprometido devido à redução de danos ao DNA. Notavelmente, o Cinam atenuou os efeitos tóxicos induzidos pelo quimioterápico, sugerindo um possível papel quimioprotetor do complexo.
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