| Resumo: | O tabagismo durante a amamentação é um problema persistente de saúde pública, associado a
prejuízos como redução do tempo de sono do lactente, alterações na função tireoidiana, maior risco de
obesidade futura, danos histológicos hepáticos e pulmonares e maior estresse oxidativo. Além disso, pode
diminuir a produção de leite e favorecer o desmame precoce. Nesse contexto, a terapia de reposição de
nicotina (TRN) surge como alternativa para apoiar a cessação do tabagismo, reduzindo a exposição do
lactente à fumaça e aos compostos tóxicos presentes no cigarro. Diretrizes recentes indicam que formas de
ação rápida, como goma e pastilhas, podem oferecer risco menor do que o tabagismo ativo, embora ainda
existam lacunas quanto aos efeitos prolongados. Para avaliar a utilização da TRN, foi conduzida uma
revisão de literatura nas bases PubMed, LactMed e em documentos técnicos de organizações oficiais,
utilizando descritores como "nicotine replacement therapy"
,
"drugs" e "lactation". A análise contemplou
quatro fontes: diretriz clínica australiana (2024), LactMed (2023), E-lactancia (2023) e Breastfeeding
Network (2025). As evidências apontam que produtos de uso intermitente, quando administrados
antecedendo as mamadas, resultam em menor exposição do lactente à nicotina. Adesivos transdérmicos
requerem cautela, devendo ser utilizados em doses menores e retirados à noite. É desaconselhada a
associação de TRN e tabaco, sendo que, quando utilizada corretamente, a TRN apresenta benefícios que
superam os riscos de manter o hábito de fumar. Conclui-se que a TRN pode representar uma alternativa
viável e relativamente segura para lactantes que não conseguem cessar o tabagismo apenas com suporte
não farmacológico. Entretanto, é essencial o acompanhamento médico e a realização de estudos de longo
prazo que consolidem evidências e aprimorem as recomendações clínicas.
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