| Resumo: | A doença de Chagas, causada por Trypanosoma cruzi, e a esquistossomose, provocada por Schistosoma mansoni, representam relevantes problemas de saúde pública, associados a elevada morbidade. Evidências sugerem que a infecção crônica por T. cruzi pode influenciar a evolução clínica da esquistossomose. Este estudo avaliou parâmetros biológicos e imunológicos em 44 camundongos Swiss distribuídos em quatro grupos: saudáveis (G1), infectados por T. cruzi (G2), por S. mansoni (G3) e coinfectados (G4). A infectividade por T. cruzi foi de 100%, enquanto a por S. mansoni atingiu 79%, sendo maior na coinfecção. Não foram observadas alterações comportamentais ou perda de peso significativas. O coração apresentou discreto aumento de peso em G2, enquanto fígado e baço mostraram acentuada hipertrofia em G3 e G4, compatível com congestão por hipertensão portal. A avaliação da carga parasitária por PCR em tempo real não diferiu entre G2 e G4, indicando que S. mansoni não alterou o parasitismo cardíaco. Quanto às citocinas, aos 30 dias não houve diferenças nos níveis de IFN-γ, enquanto aos 75 dias a infecção por S. mansoni isoladamente elevou sua produção, efeito prevenido pela coinfecção. Aos 105 dias, ambos os parasitos induziram IFN-γ, mas novamente a coinfecção reduziu sua expressão. Em relação à IL-10apenas T. cruzi induziu sua produção. Aos 75 dias, S. mansoni isolado não estimulou IL-10 e tampouco alterou sua expressão na coinfecção. Já aos 105 dias, ambos os parasitos induziram a citocina, cuja produção foi significativamente reduzida na coinfecção. Esses achados indicam que a coinfecção modula a resposta imune, atenuando a expressão de citocinas inflamatórias e regulatórias, o que pode influenciar a evolução clínica das duas doenças.
|
| Referência 2: | BURKE, M. L.; JONES, M. K.; GOBERT, G. N.; LI, Y. S.; ELLIS, M. K.; MCMANUS, D. P.. Immunopathogenesis of human schistosomiasis. Parasite Immunology, [s.l.], v. 31 |