| Resumo: | A Doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, ainda representa um desafio relevante para a saúde pública, afetando milhões de pessoas principalmente na América Latina. Apesar dos avanços em medidas de prevenção, o tratamento permanece restrito a dois fármacos principais, benznidazol e nifurtimox, desenvolvidos há mais de quatro décadas. Ambos apresentam eficácia limitada, sobretudo na fase crônica da enfermidade, além de provocar reações adversas que frequentemente levam à descontinuidade terapêutica. Nesse cenário, novos compostos bioativos vêm sendo investigados, entre eles o protótipo GIB24, cuja modificação estrutural resultou em derivados com potencial atividade tripanocida. O presente estudo teve como objetivo avaliar a atividade in vitro de derivados do protótipo GIB24 frente às formas epimastigotas do T. cruzi (cepa Y) e analisar sua citotoxicidade em células da linhagem HepG2. Para tanto, os parasitos foram cultivados em meio LIT suplementado com 10% de soro fetal bovino e submetidos ao tratamento com os compostos em concentrações crescentes (7,81 a 500 µM), sendo o benznidazol utilizado como controle positivo. A viabilidade celular foi determinada por ensaio de redução da resazurina, e os valores de IC₅₀ foram calculados pelo software CompuSyn®. Entre os derivados avaliados, os compostos CAS06 e CAS09 apresentaram os melhores resultados, com IC₅₀ de 12,29 ± 5,52 µg/mL e 9,37 ± 9,09 µg/mL, respectivamente, próximos ao valor obtido para o benznidazol (6,73 ± 0,29 µg/mL). Nos ensaios de citotoxicidade, o CAS09 destacou-se por apresentar baixa toxicidade em células HepG2, resultando em um índice de seletividade elevado. Esses achados indicam que o CAS09 é um candidato promissor para o desenvolvimento de novos agentes tripanocidas, justificando a continuidade de estudos frente às formas amastigotas intracelulares e em modelos in vivo.
|