| Resumo: | A equidade constitui princípio fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS) e norteia políticas voltadas à valorização de trabalhadoras e trabalhadores. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil sociodemográfico, condições de saúde, hábitos de vida e vivências de violência entre profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de um município mineiro, discutindo implicações para a equidade. O referencial teórico apoiou-se na interseccionalidade e nas desigualdades estruturais de gênero, identidade de gênero e raça. Trata-se de estudo transversal, quantitativo, realizado em 22 unidades da APS, com amostragem por conveniência (n=216). Aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa, sob parecer n. 7.025.461/2024. Os dados foram coletados por meio de questionário eletrônico (set.–dez./2024) e analisados no software SPSS 19.0. Entre os participantes, 89,8% eram do gênero feminino ao nascer; 54,6% possuíam ensino médio completo e 37,5% ensino superior; 69,0% utilizavam exclusivamente o SUS. Quanto aos hábitos de vida, 57,4% praticavam atividade física; 29,2% apresentavam diagnóstico de transtorno mental, sobretudo ansiedade e depressão; e 33,8% faziam uso de Práticas Integrativas e Complementares. Apesar de altos índices de satisfação com a vida e o trabalho (≥7/10 em mais de 80%), 33,3% relataram assédio moral, 17,8% assédio sexual (principalmente no ambiente laboral) e 21,8% violência doméstica, com predomínio da psicológica. Os resultados revelam um coletivo de trabalho feminilizado, atravessado por desigualdades e violências, mas também dotado de mecanismos de resiliência. Conclui-se que o enfrentamento da iniquidade na APS requer políticas institucionais de proteção, valorização do trabalhador, cuidado psicossocial e estratégias de prevenção ao assédio e à violência laboral e doméstica.
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