| Resumo: | O captopril é um fármaco cristalino, hidrossolúvel, utilizado como comprimidos para hipertensão arterial.
A análise térmica é útil para a compreensão do comportamento de fármacos e excipientes, revelando
possíveis alterações que impactam sua estabilidade (Zainal et al., 2021). Sabe-se que o processo industrial
pode comprometer as propriedades de estado sólido dos insumos (Freitas-Marques et al. 2023), assim foi
proposta a avaliação do impacto das operações unitárias envolvidas na produção de comprimidos de
captopril por meio de análise térmica. Os comprimidos de captopril 50 mg foram preparados por granulação
via úmida, utilizando solução hidroalcoólica de PVP 5% como líquido de granulação. A formulação incluiu
os excipientes: lactose, celulose microcristalina, croscarmelose, estearato de magnésio e aerosil. Para o
monitoramento, coletou-se amostras após cada etapa: (1) mistura simples; (2) formação da massa para
granulação; (3) granulação; (4) secagem em estufa de ar circulante; (5) moagem para calibração dos
grânulos; (6) mistura em misturador em “V” e (7) compressão. A temperatura dos insumos foi registada em
cada etapa. Realizou-se análise térmica de todos os insumos e das amostras em cada etapa de coleta. Foi
utilizada célula Shimadzu DSC 60 Plus, sob atmosfera dinâmica de nitrogênio 50 mL/min, razão de
aquecimento de 10 °C/min, faixa de temperatura de 30-400 °C, ~1,5 mg de amostra, cadinho de alumínio
fechado. O captopril funde em Tonset 106.97 ºC (Hf 131,33 J/g). A fusão dos insumos foi utilizada para
monitoramento do fluxo de calor. Nas etapas (2) e (3) não se observa o sinal endotérmico de fusão do
fármaco, provavelmente devido à sua dissolução no líquido de granulação. A partir da etapa (4), surge um
fenômeno endotérmico Tonset 101,89 ºC, aspecto que sugere alteração na estrutura dos insumos. O
monitoramento do processo de compressão indica alteração das propriedades do captopril o que pode
impactar na sua qualidade, eficácia e segurança.
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