| Resumo: | O domínio dos sistemas sanguíneos ABO e Rh constitui elemento fundamental para a segurança transfusional, a prevenção de reações hemolíticas e o planejamento de estratégias em atendimentos emergenciais. A correta identificação do fenótipo sanguíneo possibilita decisões clínicas mais assertivas, especialmente em situações críticas que demandam rapidez na administração de hemocomponentes compatíveis. Nesse sentido, ações extensionistas voltadas à determinação do tipo sanguíneo e à conscientização acerca da doação de sangue apresentam não apenas relevância social, mas também expressivo valor acadêmico e científico. No ano de 2024, o projeto ABO, vinculado à Universidade Federal de Alfenas, promoveu atividades de tipagem sanguínea durante os eventos de Acolhida ao Calouro, abrangendo os dois semestres letivos no município de Alfenas. As análises foram conduzidas a partir do método de hemaglutinação direta, que envolve a obtenção de uma amostra de sangue capilar por punção digital estéril e sua posterior exposição a reagentes contendo anticorpos monoclonais anti-A, anti-B e anti-D (fator Rh). Um total de 125 tipagens foi realizado, revelando que, no sistema ABO, a maior frequência correspondeu ao grupo O (47%), seguido pelos grupos A (38%), B (10%) e AB (5%). Quanto à presença do antígeno D, 74% dos participantes apresentaram fator Rh positivo. Esses resultados estão em consonância com a distribuição fenotípica descrita para a população brasileira por Beiguelman et al. (2003), na qual predominam os grupos O (45%) e A (42%), seguidos por B (10%) e AB (3%). Complementarmente, o projeto integrou-se a uma campanha de incentivo à doação de sangue realizada em parceria com o Programa de Educação Tutorial (PET) Enfermagem da instituição. Tal iniciativa contou com a participação ativa dos membros do PET, que não apenas realizaram doações, mas também mobilizaram a comunidade acadêmica por meio de ações presenciais e de publicações em redes sociais, enfatizando os benefícios, a segurança e o impacto social do ato de doar. Essa articulação entre diagnóstico laboratorial, promoção da saúde e mobilização comunitária evidencia o potencial das atividades extensionistas de caráter interdisciplinar para ampliar a cobertura de ações preventivas, consolidar a formação cidadã e fortalecer o vínculo entre universidade e sociedade.
|