POTENCIAL ANTIOXIDANTE DA UVA VITIS VINÍFERA VARIEDADE SYRAH PROVENIENTE DE RIBEIRÃO PRETO, SP.
Resumo:Nos últimos anos, a viticultura brasileira tem apresentado uma trajetória de crescimento contínuo. O país ocupa posição de relevância no cenário vitivinícola mundial, não apenas pela produção de vinhos, mas também pelo cultivo de uvas de mesa. Contudo, esse desenvolvimento também gera desafios ambientais, já que a produção vinícola resulta em quantidades significativas de resíduos capazes de provocar contaminação do solo e água. Apesar disso, os resíduos gerados dessa produção são ricos em compostos antioxidantes devido a sua composição fenólica, além de possuírem atividade anti-inflamatória e antimicrobiana. Diante desse contexto, torna-se essencial a análise dos resíduos gerados, a fim de fornecer informações relevantes acerca do potencial antioxidante presente em seus extratos. Para a realização do estudo, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) disponibilizou 24 variedades de resíduos, sendo: bagaço, semente, borra e engaço, provenientes de diferentes municípios. Utilizando métodos de extração por maceração simples a 15% em etanol 70% (v/v). Os extratos foram submetidos aos testes de teor de compostos fenólicos totais, teor de flavonoides, determinação da atividade antioxidante pelo método de redução do ferro (FRAP) e método baseado na eliminação do radical livre (DPPH), que buscam analisar o poder antioxidante de cada extrato, sendo medido por espectrofotometria. Nos ensaios, os resultados da uva Vitis vinifera variedade Syrah de Ribeirão Preto foram significativos, se destacando o Bagaço + Semente com resultados de 61,11 mg GAE/g no ensaio de Fenólicos, 2,49 (µg Q/mg) em Flavonoides, 51,94 (µmol TE/g) em DPPH e 652,55 (µM FeSO4.g-1) em FRAP. Os resultados obtidos evidenciam que os resíduos da viticultura apresentam elevada atividade antioxidante e significativo potencial bioativo. Esses achados reforçam a importância de aprofundar os estudos nessa área e de desenvolver estratégias inovadoras para o reaproveitamento desses subprodutos, atribuindo-lhes maior valor agregado e contribuindo para a sustentabilidade do setor vitivinícola.
Referência 1:AVERILLA, J. N. et al. Potential health benefits of phenolic compounds in grape processing products. Food Science and Biotechnology, v. 28, n. 6, p. 1607–1615, 2019a.