| Resumo: | Apesar do conceito da Soberania Alimentar ganhar destaque somente na década de 1990, o conceito já era uma proposição de movimentos da América Central na década de 1980 (Edelman, 2014). A partir disso, em 1996, na II Conferência Internacional da La Via Campesina realizada no México, foram estabelecidos os primeiros pilares da Soberania Alimentar, propondo principalmente que todas as nações e povos devem decidir e controlar seus próprios sistemas alimentares. Esse debate perpassa pela Via Campesina que, em um primeiro momento, buscava internacionalizar a luta dos trabalhadores do campo contra o rápido avanço neoliberal sobre o sistema alimentar mundial que, além de globalizar a pobreza e a fome, evidencia a padronização da alimentação a partir das indústrias alimentícias (De Schutter, 2015). Hoje as dimensões da Soberania Alimentar criaram uma amplitude ainda maior que a própria Via Campesina, caracterizando-se em um movimento próprio (La Via Campesina, 2021). A última proposição e atualização dos pilares da Soberania Alimentar aconteceu no ano de 2007 a partir da Declaração de Nyéléni, propondo que as pautas sobre a alimentação devessem se preocupar com o que tem sido produzido de alimento e como são produzidos e distribuídos, privilegiando os circuitos curtos (Fórum Mundial pela Soberania Alimentar, 2007). Diante disso, desde a primeira elaboração, busca-se por meio de uma revisão bibliográfica levantar pontos sobre quais são os desafios para a Soberania Alimentar na atualidade, considerando que em 2026, o proposição completará 30 anos. Com isso, identifica-se a ainda persistência da fome nos territórios, os baixos salários dos trabalhadores, a crise climática alterando o ciclo das produções e a necessidade da reafirmação e execução das políticas públicas que, no âmbito brasileiro, possuem diversos impactos positivos tanto para os produtores quanto para os consumidores. Com isso, a Soberania Alimentar realiza diálogos singulares para o cuidado e futuro do planeta.
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