| Resumo: | A identificação de plágio em trabalhos acadêmicos é uma prática consolidada nas revistas
científicas que contribui para a integridade das publicações. Entretanto, desde 2022, com a
popularização do ChatGPT da OpenAI, o uso de Inteligência Artificial (IA) na produção de textos
acadêmicos vem crescendo significativamente, levantando questionamentos sobre a autenticidade dos
trabalhos publicados (Farias, 2023). Sendo assim, este estudo buscou verificar em artigos já publicados,
se o percentual de plágio e de uso de IA apresentam variações ao longo do tempo. Para isso, foram
incluídas quatro revistas científicas nacionais em estatística e matemática, totalizando 64 artigos
selecionados aleatoriamente, divididos igualmente em período anterior (2018 a 2021) e posterior (2022
a 2025) à criação do ChatGPT. A detecção de plágio foi realizada por meio do software Plagius, e a de
IA, pelo site ZeroGPT. As comparações entre períodos foram feitas com o teste de Mann-Whitney U, e
a associação entre anos e percentuais, avaliada pela correlação de Spearman. Os resultados não
indicaram diferenças significativas, tanto para percentuais de similaridade (MWU, p = 0,098; rho, p =
0,161), quanto para percentuais de detecção de IA (MWU, p = 0,919; rho, p = 0,728). Isso sugere que
os percentuais de plágio e de uso de IA permaneceram estáveis ao longo do tempo, o que pode estar
associado à eficácia dos processos editoriais, mas também à predominância de fórmulas, que dificultam
a detecção. Além disso, ferramentas de detecção de IA apresentam problemas recorrentes, como falsos
positivos e negativos (Khalil e Erkan, 2023). Nesse sentido, evidencia-se que cinco dos 32 artigos
(15,6%) publicados antes de 2022 foram erroneamente detectados como texto gerado por IA (corte
≥10%). Dessa forma, ressalta-se a necessidade de ampliar análises, aprimorar ferramentas de detecção e
consolidar políticas editoriais e penalidades para o uso indevido de IA em produções científicas.
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