| Resumo: | Os estudos de estabilidade em insumos farmacêuticos são uma premissa para o desenvolvimento de
medicamentos seguros e eficazes. A temperatura é um dos parâmetros críticos impactantes na qualidade de
produtos farmacêuticos e, por isso foi proposta a avaliação da cinética da estabilidade térmica do minoxidil
conforme diretrizes da RDC nº 318/2019 da Anvisa (BRASIL, 2019). Esse fármaco inicialmente
desenvolvido para o tratamento da hipertensão arterial resistente, apresenta uso off label para o tratamento
da alopecia androgênica. Para a avaliação da estabilidade térmica do minoxidil foram obtidas curvas
termogravimétricas (TG) na termobalança Shimadzu DTG60H em três razões de aquecimento: 6, 9 e 12
ºC/min, de 30 a 600 °C, em atmosfera dinâmica de nitrogênio a 50 mL/min, cadinho de alumina aberto e
massas de amostra, ~2,5 mg. Todas as curvas foram derivadas em 1ª ordem (DTG) para confirmação dos
fenômenos térmicos. Os dados de TG não-isotérmicos foram analisados usando o método de integração
numérica isoconversional desenvolvido por Vyazovkin (VYAZOVKIN, 2015). A modelagem cinética
usando uma rede neural artificial foi utilizada para auxiliar no entendimento da complexidade do processo.
O minoxidil apresenta estabilidade térmica até Tstart 265ºC, com perda de 67% de massa, em várias etapas
sobrepostas como confirmado pela DTG. A energia de ativação para o início da decomposição (α = 0,1) foi
~ 197 kJ/mol, o que indica que o primeiro estágio da degradação requer uma quantidade considerável de
energia, com colisões efetivas lnA = 41,58. A energia de ativação diminui gradualmente no decorrer da
decomposição, atingindo ~ 98 kJ mol-1 (α = 0,9), com lnA = 19,48. Uma combinação de modelos do tipo
Avrami-Erofeev, AM1.5, AM2, AM2.5 e AM3, predominam a via de decomposição. Os resultados indicam
que a decomposição térmica do minoxidil é um processo multi etapas governado por mecanismos
sobrepostos de nucleação e crescimento.
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