ANÁLISE DA DIMENSÃO SOCIOECONÔMICA DOS APANHADORES DE CAFÉ NO ESPAÇO URBANO DE ALFENAS: RELAÇÃO CAMPO-CIDADE A PARTIR DO BAIRRO PINHEIRINHO
Resumo:A mobilidade espacial do trabalho é compreendida como fenômeno que promove o deslocamento espacial, setorial e profissional do trabalhador com o objetivo de vender sua força de trabalho (Gaudemar; Quintela, 1977). A questão da mão-de-obra migrante nos períodos da colheita de café são processos constantes na organização produtiva e sociocultural da cafeicultura brasileira. Essa mobilidade populacional gerada pela atividade agrícola, ultrapassa os limites do espaço agrário e dinamiza as cidades, sobretudo as cidades pequenas da mesorregião Sul/Sudoeste de Minas Gerais (Alves, 2021). A pesquisa objetiva abalisar as transformações socioeconômicas e espaciais no bairro Pinheirinho mediate a colheita de café. Visa entender as características desses trabalhadores urbanos, bem como as motivações e desafios. Dessa forma, justifica-se pela relevância da cafeicultura para a região de Alfenas (MG) que, ao mesmo tempo em que se destaca pela produção de café de qualidade, depende fortemente da mobilidade dos trabalhadores urbanos e migrantes para a realização da colheita. A metodologia adotada é quali-quantitativa, fundamentada na abordagem do materialismo histórico-dialético. Foram realizadas 10 entrevistas com apanhadores de café do bairro Pinheirinho. Resultados da amostra apontam que 70% das trabalhadoras são mulheres, enquanto 30% são homens, com idades que variam entre 18 e 48 anos. Sendo assim, percebe-se a predominância das mulheres na cafeicultura. As rendas, variam em torno de R$2000,00 a 6600,00 mensais, com média de 3800,00. 10% dos entrevistados pretendem ter serviço na área urbana, enquanto os demais dão preferência para continuar trabalhando na colheita de café. Assim sendo, conclui-se que a relação entre a cafeicultura e os processos migratórios são elementos estruturantes da Região Imediata de Alfenas. A cafeicultura, como atividade econômica central, gera empregos, renda e demanda por serviços de saúde e educação, criando um ciclo de circulação, e este aspecto da ruralidade ainda é muito persistente no município de Alfenas.
Referência 1:ALVES, F. D. Apontamentos teórico-metodológicos sobre a ruralidade. Revista Rural & Urbano, v. 6, n. 1, p. 27-46, 2021.
Referência 2:GAUDEMAR, J. P.; QUINTELA, M. R. Mobilidade do trabalho e acumulação do capital. Lisboa: Editora Estampa, 1977.