| Resumo: | Este é um recorte da pesquisa de mestrado realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Alfenas desenvolvida por meio de pesquisa com abordagem qualitativa com o uso de exploração bibliográfica que tem como objetivo discutir tensionamentos e contradições vivenciados pela Coordenação Pedagógica bem como a defesa de saberes e fazeres que considerem a sua atuação política em favor do pensamento crítico- reflexivo e humanista, com base em de Freire (1987), Laval (2023), Cunha (2003) e Macedo (2016). A Coordenação Pedagógica desempenha um papel essencial na formação continuada de professoras em serviço, já que estas são as responsáveis diretas pela formação das filhas e filhos do povo brasileiro nos espaços das escolas públicas. Contudo, essa profissão carrega marcas históricas de uma crise de identidade, expressa na multiplicidade de nomenclaturas atribuídas à função — supervisora, orientadora, coordenadora, gestora — que traduzem diferentes concepções sobre sua legitimidade e acarretam em uma variedade de atribuições dentro de um contexto de lutas históricas. Essa indefinição gera excesso de funções, sobrecarga de responsabilidades e fragiliza sua atuação formativa, reduzindo sua capacidade de promover práticas reflexivas e democráticas. Além disso, a atuação da Coordenação Pedagógica carrega marcas históricas de controle e vigilância em favor da manutenção do poder hegemônico. Com forte influência da racionalidade técnica, sua atuação é orientada por saberes e fazeres de caráter burocrático e tecnicista, concebido como “neutro”, mas que, na prática, reforça a lógica de eficiência, produtividade e padronização típica do ideário neoliberal. Nessa perspectiva, a Coordenadora Pedagógica assume o papel de mera transmissora de conteúdos, enquanto as professoras são vistas como receptoras passivas que devem cumprir metas e superar índices, com o mínimo de recursos e o máximo de eficiência, mesmo em contextos plurais, desiguais e injustos. Em contrapartida, há a possibilidade de compreender a Coordenação Pedagógica como um espaço de mediação política, no qual o saber e o fazer crítico-reflexivo e humanista possam fortalecer a autonomia docente, articular a formação continuada e impulsionar a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico. Assim, a Coordenação Pedagógica permanece como um campo de disputas de poder, tensionado entre sua herança e manutenção de controle técnico-burocrático e a potência de saberes e fazeres políticos capazes transformar a escola pública em espaço de resistência, diálogo, participação e emancipação.
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