| Resumo: | Conforme dados do Comitê Nacional para Refugiados, no ano de 2024, 44,8% dos refugiados no Brasil eram mulheres. Mostrando que a presença feminina é crucial nos estudos, especialmente pela dupla vulnerabilidade: ser mulher e ser migrante. O presente estudo possui como propósito investigar quais são os dados oficiais no Brasil sobre as mulheres refugiadas entre 2011 a 2024, com uma análise à luz da Teoria da Reprodução Social. A proposta metodológica do trabalho se ancora em uma análise de caráter quantitativo, buscando fazer uma análise estatística descritiva da base de dados que pode ser acessada no site do Ministério da Justiça. Para Schwinn (2019), “pensar as migrações hoje significa pensar também nas mulheres, e como estão inseridas nesse processo” principalmente devido o aumento na presença delas entre aqueles que buscam refúgio e por estarem mais vuneráveis a violências físicas, sexuais e simbólicas. De acordo com Federici (2019), a Teoria da Reprodução Social mostra que a violência contra a mulher se torna um instrumento essencial para o processo de globalização, pois atende as condições de acúmulo de capital que as condicionam a trabalhos precários que atendem as condições de gênero. Os dados permitem identificar o país de nacionalidade e nascimento, o ano de nascimento, o estado civil e o município de recebimento, pois algumas informações não são disponibilizadas devido questões de sigilo. Isso mostra que é essencial investigar quais são os dados disponibilizados, pois é através deles que será possível identificar o perfil das mulheres que solicitam refúgio no Brasil e quais são os dados coletados podendo trazer visibilização da realidade dessas mulheres no Brasil e subsídio para políticas públicas mais efetivas. Portanto, é esperado que o resultado da pesquisa possa contribuir para o debate sobre as desigualdades de gênero e migração buscando promover a equidade e os direitos humanos.
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