| Resumo: | As lesões endoperiodontais constituem um desafio clínico por envolverem tecidos
distintos, mas, interligados anatomicamente: a polpa dental e o periodonto. A
comunicação entre essas estruturas, por meio de canais acessórios, túbulos dentinários e
forame apical, favorece a disseminação de infecções e pode originar lesões combinadas.
Nesse contexto, o correto diagnóstico e a conduta terapêutica interdisciplinar são
fundamentais para o sucesso clínico. O objetivo deste trabalho foi relatar o manejo clínico
de uma lesão endoperiodontal sem dano radicular no dente 36, associada a periodontite
estágio 4, padrão incisivo-molar e grau B, destacando a integração entre endodontia e
periodontia. A metodologia baseou-se em um relato de caso clínico. Um paciente do sexo
masculino, 54 anos, compareceu à Clínica Integrada da Universidade Federal de Alfenas
com queixas de mobilidade dentária, sangramento gengival e dor. Após anamnese, exame
clínico, radiografias e testes de vitalidade, diagnosticou-se lesão endoperiodontal. O
plano de tratamento foi conduzido em etapas. Inicialmente a abordagem periodontal, com
raspagem supra e subgengival, controle de biofilme, extrações indicadas e orientação de
higiene oral. Em seguida, o tratamento endodôntico do dente 36, incluindo remoção de
restauração insatisfatória, instrumentação rotatória, medicação intracanal e obturação.
Posteriormente, complementação periodontal com raspagem, alisamento radicular e
terapia fotodinâmica antimicrobiana. Os resultados demonstraram evolução favorável
após um mês, com sinais radiográficos de remineralização óssea, redução da
profundidade de sondagem de 7 mm para 4 mm e melhora clínica do quadro periodontal,
ainda com lesão de furca grau I. O tratamento endodôntico foi concluído com sucesso,
estando o caso em acompanhamento (proservação). Conclui-se que o diagnóstico preciso
aliado ao manejo interdisciplinar proporciona resultados positivos no controle de lesões
endoperiodontais. A associação entre terapias endodônticas e periodontais mostrou-se
eficaz para estabilização clínica, regressão da doença e manutenção da função dentária,
ressaltando a importância da integração entre especialidades e acompanhamento
longitudinal.
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