| Resumo: | As vitrocerâmicas são materiais de grande relevância devido à combinação de fases vítreas e cristalinas, podendo ser obtidas por cristalização controlada de vidros mediante tratamentos térmicos específicos. As vitrocerâmicas fotocatalíticas são aquelas no qual a fase cristalina apresenta atividade em fotocatálise, isto é, podem ser utilizadas como fotocatalisadores acelerando a degradação de compostos orgânicos em reações que utilizam a luz. A vantagem da utilização das vitrocerâmicas está, entre outras, na maior facilidade de recuperação e reuso do material, quando comparado especialmente aos semicondutores na forma de pó que são o mais comumente utilizados. Assim, este estudo teve como objetivo a preparação de vitrocerâmicas com potencial para aplicações em fotocatálise a partir de um vidro com composição molar 50KPO₃-30Nb₂O₅-20ZnO. As amostras foram preparadas através de tratamentos térmicos (TT) do vidro a 680 °C (temperatura definida a partir da análise térmica) , correspondente ao início do primeiro pico de cristalização - por diferentes tempos: 2h30, 5h, 10h, 24h e 48h. As curvas obtidas pelas análises de Calorimetria Exploratória Diferencial (DSC) das vitrocerâmicas comparadas ao vidro precursor demonstraram que apenas uma única fase cristalina foi formada, conforme esperado. A difração de raios X (DRX) também confirmou a presença de uma fase cristalina que foi atribuída a uma fase do tipo óxido de pirocloro defeituoso (AB₂O₆), e através de medidas de Espectroscopia de Energia Dispersiva (EDS) foi estimada como sendo KNb1,7Zn0,3O₆. Estruturas do tipo pirocloro contendo metais de transição, como o nióbio (Nb), apresentam interesse particular em fotocatálise, por favorecerem reações de degradação. Nos testes fotocatalíticos, a amostra com TT de 48h foi escolhida para verificar a degradação do corante Rodamina B. Inicialmente foi realizado o processo de adsorção (sem incidência de luz) por 2 horas. Em seguida, a amostra foi irradiada com lâmpada UV em um reator, sendo realizadas medidas de absorbância em espectrofotômetro a cada 20 minutos, até o tempo total de 120 minutos para verificar a degradação do corante ao longo do tempo. Os resultados evidenciaram uma degradação de aproximadamente 62% da Rodamina B, confirmando o potencial fotocatalítico do material desenvolvido. A significativa degradação do corante (poluente) evidencia a viabilidade do uso dessas vitrocerâmicas como alternativa promissora para o tratamento de contaminantes, conciliando eficiência, estabilidade estrutural e facilidade de aplicação.
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