| Resumo: | A produção de uvas em Minas Gerais, especialmente na região Sul, tem apresentado crescimento notável, impulsionada pela técnica da dupla poda, que possibilita a maturação ideal dos frutos. Esse aumento produtivo resulta em uma grande quantidade de resíduos agroindustriais, como bagaço e sementes, aproximadamente 20% da massa total da uva processada, cujos descartes inadequados acarretam impacto ambiental negativo. O presente estudo utilizou resíduos provenientes da espécie Vitis vinifera variedade Dolcetto, fornecidos pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) de Caldas/MG, com o intuito de quantificar flavonoides no bagaço e na semente visando seu reaproveitamento. Após a colheita, as amostras foram armazenadas a -8 ºC, secas e pulverizadas para extração por maceração com etanol 70% (v/v). A quantificação dos flavonoides foi feita por um método espectrofotométrico que utiliza a formação de um complexo com Al(III). Esse complexo causa um aumento no comprimento de onda da absorção, passando para 415 nm, o que ajuda a reduzir a interferência de outros compostos fenólicos.A curva analítica foi obtida com quercetina padrão, o principal flavonoide de referência. Os resultados revelaram concentração média de flavonoides de 5,01 µg EQ/mg de extrato, com desvio padrão de 0,08 e coeficiente de variação de 2%, demonstrando a riqueza fitoquímica dos resíduos estudados. Os flavonoides presentes nestes subprodutos possuem reconhecida atividade antioxidante e potencial terapêutico, evidenciando importância para a indústria farmacêutica e alimentícia. Assim, o reaproveitamento do bagaço e das sementes desta uva configura uma estratégia sustentável e economicamente viável para a valorização dos resíduos da viticultura mineira, alinhando-se às demandas ambientais e tecnológicas contemporâneas.
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