| Resumo: | No conto "The Yellow Wallpaper” (2006), de Charlotte Perkins Gilman, publicado em 1892, a loucura da personagem principal, que narra o conto em primeira pessoa, está muito ligada à opressão social e médica exercida nas mulheres no século XIX. A personagem é levada pelo marido, um médico, para uma casa afastada para se recuperar de uma depressão “nervosa" pós-parto. Lá, ela é submetida à "cura do repouso", um tratamento desenvolvido no século XIX por Silas Weir Mitchell (1877) para mulheres diagnosticadas com problemas “nervosos”. Presa em um quarto com um papel de parede amarelo, a narradora é conduzida ao longo do conto a uma completa ruptura psíquica. Sua loucura não é apenas um transtorno individual, mas uma consequência de uma violência psicológica e do silenciamento. Outros contos de Gilman que também abordam o enlouquecimento de mulheres, ainda que a partir de aspectos olhares diferentes, são "The Unwatched Door" e "The Cottagette". Este estudo propõe um olhar comparativo sobre esses três contos de Gilman e observar como cada narrativa representa estágios distintos da loucura feminina. Em “The Unwatched door” vemos um enlouquecimento causado pela superproteção na tentativa de escapar das obrigações sociais esperadas das mulheres no séculos XIX. já em “The Cottagette”, a loucura pode ser vista através do aprisionamento pessoal da personagem que quer se encaixar nas normas da sociedade mesmo que perdesse a sua liberdade. Assim, esses três contos dialogam entre si, evidenciando como a loucura pode ser entendida não apenas como enfermidade pessoal, mas como uma reação a estruturas de dominação patriarcal e social que restringiam a autonomia das mulheres no século XIX. Para isso, o trabalho se fundamenta em textos teórico-críticos sobre gênero e loucura de autoras como Showalter (1985) e Gilbert e Gubar (2000).
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