| Resumo: | Pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) podem ser compreendidas como aquelas que apresentam “potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes” (Brasil, 2008, p. 15). No entanto, algumas características comuns das AH/SD podem colocar estas pessoas em grau de vulnerabilidade, como o perfeccionismo, a procrastinação, a ansiedade e as dificuldades socioemocionais. Por isso, este grupo está incluído na Educação Especial que, conforme a LBD (Brasil, 1996), prevê o direito à inclusão na educação, inclusive, no ensino superior. Nesse sentido, este estudo investigou a atuação das universidades federais brasileiras, por meio de serviços oferecidos/núcleos de inclusão, no atendimento a estudantes com AH/SD. A pesquisa, de abordagem quantitativa descritiva com utilização de distribuição de frequência, cujos dados foram coletados por meio uma pesquisa documental, analisou os portais institucionais das 69 universidades federais do país. Os resultados revelam que, embora todas as universidades possuam estruturas de apoio à inclusão, a efetivação de ações específicas para o público AH/SD é limitada, 88,41% das universidades consideram os estudantes com AH/SD como parte do público atendido, mas apenas 19% delas apresentam iniciativas claramente definidas para suas demandas. A maioria (70%) se restringe a ações genéricas de educação especial, sem detalhamento para AH/SD. Outras lacunas significativas foram identificadas: apenas 11,6% das universidades divulgam dados/informações sobre estudantes com AH/SD, e não há protocolos sistematizados para identificação, dependendo da autodeclaração do estudante. Apenas 13% das universidades apresentam iniciativas específicas para acompanhamento desses estudantes ao longo de trajetória acadêmica. Somente 23% das instituições oferecem ações formativas para docentes direcionadas às AH/SD. A pesquisa aponta para um cenário de reconhecimento formal, mas insuficiente, da condição dos estudantes com AH/SD. Há clara dissociação entre as normativas e as práticas implementadas, o que compromete a inclusão plena e o desenvolvimento do potencial desses estudantes nas universidades.
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